Governo espera propostas para reajuste
Giovani Ferreira
De Curitiba
O governo do Estado está aguardando propostas das concessionárias para definir o reajuste da tarifa de pedágio nas estradas do Anel de Integração. O secretário de Estado dos Transportes, Heinz Herwig, disse ontem que espera sugestões das empresas que administram as rodovias. De acordo com Herwig, em reunião realizada há uma semana com o governador Jaime Lerner, ficou acertado que as empresas enviariam ao governo as alternativas que entendem ser viáveis para a solução do impasse.
Segundo o secretário, o governo pretende resolver esse problema durante o mês de setembro. A proposta do governo continua a mesma de dois meses atrás, quando foi proposto um reajuste de 75% para caminhões e 100% para automóveis. O Estado ainda exige a duplicação de 250 quilômetros de rodovias e a recuperação de outros mil quilômetros de estrada. Sobre o cronograma das obras, Herwig disse que o governo também está disposto a negociar, desde que essa flexibilidade esteja relacionada diretamente ao percentual de reajuste.
Washington Lemos Filho, presidente da regional paranaense da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), explicou que já existem dezenas de propostas nas mãos do governo. Na avaliação dele, hoje o pedágio é uma discussão unicamente política, sem nenhum vínculo com a racionalidade.
As concessionárias entendem que não existe mais o que apresentar, uma vez que as propostas e alternativas para solucionar o impasse já estão esgotadas. De acordo com Washington Filho, por causa do cronograma de obras, o governador sabe que o percentual de reajuste proposto não serve. Uma das últimas soluções vislumbradas pela ABCR é a reavaliação do cronograma de obras. O presidente da ABCR acredita que se existir a possibilidade de flexibilização do cronograma, pode ser que as duas partes possam entrar em um acordo.
Há dois meses as concessionárias concordavam com o reajuste de 100% para os veículos, mas reivindicavam um índice de 80% para os caminhões, contrariando a proposta de 75% do governo. Hoje, nem mesmo os 80% são suficientes para as empresas. Daqui para frente o acordo sobre o percentual de reajuste vai depender somente do cronograma de obras. Quanto mais obras exigidas pelo governo, maior terá que ser o reajuste da tarifa.
As concessionárias estão cobrando do governo a recuperação do valor real das tarifas, que em julho do ano passado foi reduzido em 50%. A medida do governador, que decidiu pela redução de maneira unilateral, está sendo discutida na Justiça.





