O governo deu ontem um ultimato aos professores da rede pública estadual em greve. O secretário-chefe da Casa Civil, José Cid Câmpelo Filho, disse que segura a folha de pagamento até segunda-feira, para saber se a categoria continua parada ou não. Caso os grevistas decidam na assembléia de amanhã manter a paralisação, os funcionários estaduais fazem um serão e rodam no começo da semana a folha de pagamento, mas com desconto daqueles que aderiram à greve.
O sindicato dos professores (APP-Sindicato) promete reagir e vai entrar com uma ação na Justiça para garantir os salários dos grevistas. ‘‘A greve não foi considerada ilegal’’, avisou o presidente da APP, Romeu Gomes de Miranda. ‘‘E já existe um parecer da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dado aos servidores federais, que vai servir para derrubar na Justiça essa chantagem do governo’’, complementou.
Mas o governo estadual promete ser mais duro daqui para frente. ‘‘Na próxima semana a greve completa um mês e a intenção é abrir processo administrativo de abandono de emprego, contra aqueles que não compareceram ao trabalho’’, afirmou o secretário Cid Câmpelo. Para Romeu Miranda, essa posição radical vai servir para fortalecer a greve dos professores. ‘‘O movimento vai sair fortalecido e a decisão na assembléia pode ser diferente da que eles (governo) esperam’’, afirmou o secretário de Organização da APP, Luiz Carlos da Rocha.
Rocha declarou que a APP apresentou toda a boa vontade com o governo estadual ao desmontar o barraco que havia sido erguido em frente ao Palácio e encerrar a greve de fome dos quatro professores. Porém, o secretário Cid Câmpelo afirmou que os grevistas desrespeitaram o acordo, mantendo o acampamento e não cumprindo o prazo estipulado para dar a resposta. Na reunião da última terça-feira, foi pedido 48 horas para que a APP decidisse se aceitava a proposta do governo.
Os professores vão se reunir em assembléia geral amanhã, às 9 horas, no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba. Eles avaliam se a abertura de concurso, agilização das aposentadorias e reajuste, por meio de avanços de categoria, são suficientes para interromper a greve. ‘‘Existe um desconforto com o governo. Ele promete negociar, mas pressiona. E depois diz que não tem dinheiro, mas gasta em anúncios publicitários’’, afirmou o presidente do sindicato.

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