Governo endurece com os professores
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quinta-feira, 15 de junho de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
O governo deu ontem um ultimato aos professores da rede pública estadual em greve. O secretário-chefe da Casa Civil, José Cid Câmpelo Filho, disse que segura a folha de pagamento até segunda-feira, para saber se a categoria continua parada ou não. Caso os grevistas decidam na assembléia de amanhã manter a paralisação, os funcionários estaduais fazem um serão e rodam no começo da semana a folha de pagamento, mas com desconto daqueles que aderiram à greve.
O sindicato dos professores (APP-Sindicato) promete reagir e vai entrar com uma ação na Justiça para garantir os salários dos grevistas. A greve não foi considerada ilegal, avisou o presidente da APP, Romeu Gomes de Miranda. E já existe um parecer da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dado aos servidores federais, que vai servir para derrubar na Justiça essa chantagem do governo, complementou.
Mas o governo estadual promete ser mais duro daqui para frente. Na próxima semana a greve completa um mês e a intenção é abrir processo administrativo de abandono de emprego, contra aqueles que não compareceram ao trabalho, afirmou o secretário Cid Câmpelo. Para Romeu Miranda, essa posição radical vai servir para fortalecer a greve dos professores. O movimento vai sair fortalecido e a decisão na assembléia pode ser diferente da que eles (governo) esperam, afirmou o secretário de Organização da APP, Luiz Carlos da Rocha.
Rocha declarou que a APP apresentou toda a boa vontade com o governo estadual ao desmontar o barraco que havia sido erguido em frente ao Palácio e encerrar a greve de fome dos quatro professores. Porém, o secretário Cid Câmpelo afirmou que os grevistas desrespeitaram o acordo, mantendo o acampamento e não cumprindo o prazo estipulado para dar a resposta. Na reunião da última terça-feira, foi pedido 48 horas para que a APP decidisse se aceitava a proposta do governo.
Os professores vão se reunir em assembléia geral amanhã, às 9 horas, no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba. Eles avaliam se a abertura de concurso, agilização das aposentadorias e reajuste, por meio de avanços de categoria, são suficientes para interromper a greve. Existe um desconforto com o governo. Ele promete negociar, mas pressiona. E depois diz que não tem dinheiro, mas gasta em anúncios publicitários, afirmou o presidente do sindicato.


