Governo e UEL iniciam negociação
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quinta-feira, 25 de outubro de 2001
Andréa Lombardo<br> De Curitiba 
O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, concordou em liberar o restante do pagamento dos funcionários e professores das universidades estaduais em greve como forma de demonstrar a disposição do governo em negociar. Por conta do movimento, os servidores receberam apenas o salário correspondente a 16 dias de setembro. Os salários deverão ser pagos no início da próxima semana.
A decisão foi anunciada, ontem, durante reunião em Curitiba com uma comissão constituída pelo prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), representantes do legislativo do município, pelo arcebispo Dom Albano Cavallin e pelo presidente do Sindicato dos Professores de Londrina, César Antônio Caggiano Santos.
''Todos nós queremos superar esse impasse'', afirmou o secretário ao justificar sua decisão. No entanto, o pagamento de outubro, informou Wahrhaftig, só será liberado depois que os grevistas voltarem ao trabalho. Segundo ele, ficou acertado, ainda, que uma comissão da Secretaria de Ciência e Tecnologia fará uma avaliação in loco das condições dos campi das universidades estaduais.
A intenção da secretaria é, a partir desse levantamento, elaborar uma proposta para a categoria, envolvendo a questão orçamentária das universidades para o próximo ano e a regularização dos cargos comissionados. Wahraftig disse que pode haver nesse estudo proposta de reajuste salarial, que deve contemplar, especialmente, os técnico-adminstrativos. Ele entende que ''os professores já tiveram outros benefícios''. O secretário manteve, no entanto, o discurso de que o governo não quer se comprometer com índices por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e por impedimentos financeiros.
Caggiano avaliou que, comparado a outras reuniões, o encontro de ontem representou um avanço no impasse entre o governo e os servidores das universidades que, hoje, completa 40 dias de paralisação. ''O que ainda não existe é uma proposta concreta'', ponderou. O sindicalista não garantiu que a disposição do governo em negociar seja suficiente para interromper o movimento.
AssembléiaServidores e professores da UEL fazem hoje, às 9 horas, uma assembléia unificada no Cine Ouro Verde, em Londrina. Eles vão avaliar os resultados de ontem da reunião entre uma comissão de lideranças da cidade e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Na segunda-feira, os professores voltam a se reunir para discutir os rumos do movimento de greve.
Ontem à noite, foi realizado no Ouro Verde um debate entre professores da UEL e alunos de cursinhos pré-vestibular. A discussão não iria se restringir apenas à suspensão do próximo concurso de janeiro da universidade, que até pode ser adiado em consequência da paralisação.


