Decisão foi tomada depois que concessionárias aumentaram a tarifa em 33,4%
CONTRA O AUMENTOTarifa ficou mais cara nas estradas gaúchas da iniciativa privada. Governo incentiva vias alternativasAgência RBSO pedágio em rodovias concedidas à iniciativa privada pelo Estado do Rio Grande do Sul ficou mais caro a partir do último dia 25 de janeiro. Em represália à decisao da Associaçao Gaúcha de Concessionárias de Rodovias (AGCR) de reajustar as tarifas em 33,4%, o secretário estadual dos Transportes, Beto Albuquerque, anunciou que investirá em obras de melhoria das vias alternativas às pedagiadas.
O objetivo de Albuquerque é incentivar os usuários a boicotar as rodovias concedidas à iniciativa privada. Albuquerque anunciou que o governo vai melhorar a condiçao das estradas vicinais alternativas aos pedágios a fim de garantir opçoes aos condutores. ‘‘É impossível que continuemos acompanhando caminhoneiros colocando veículos avaliados em R$ 100 mil em estradas sem as mínimas condições só para não pagar pedágios, afirmou Albuquerque.
O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) promete trabalhar com as prefeituras para melhorar a estrutura de 30 vias paralelas aos postos de pedágio. O secretário não divulgou o quanto será investido. O Daer dispõe de um orçamento de R$ 6 milhões por ano para a manutençao das estradas vicinais.
O governo também decidiu que iria ingressar na Justiça tentando reverter o aumento nos pólos de pedágio. Albuquerque anunciou ainda que irá propor a realizaçao de um plebiscito para que a população decida se prefere ser atendida pelas concessionárias ou pelos pedágios do Daer.
Os pedágios da RS-135, entre Passo Fundo e Erechim, da RS-240, em Portão, e o da RS-239, em Campo Bom, todos pertencentes ao Daer, cobram a metade do valor que será praticado pelas concessoes privadas - disse o secretário. Na RS-239, citada pelo secretário, a cobrança é feita nos dois sentidos, diferente do que ocorre nas estradas concedidas.
Para o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas/RS (Fetransul), Romeu Neli Luft, a sociedade não pode ser ‘‘refém de um contrato’’. Luft se refere a uma das cláusulas do contrato de concessão que estabelece a revisao anual das tarifas. O dirigente falou ainda que espera pela ‘‘sensibilidade da Justiça’’ para evitar o aumento, que resultou na mudança de postura da Fetransul. ‘‘Tínhamos posição favorável aos pedágios como um meio de auxílio das rodovias. Mas hoje não somos mais’’, revelou o representante da federação.
AGCR diz que defasagem de tarifa dificulta as melhorias. As concessionárias alegam que a defasagem nas tarifas compromete as melhorias previstas pelos contratos de concessão. A AGCR diz que os valores propostos pelo contrato, fixados dois anos antes do funcionamento dos pólos, não foram reajustados, obrigando as empresas a realizarem investimentos mínimos nas rodovias. Outro argumento é de que houve aumentos nas tarifas públicas e nos pedágios federais. A AGCR afirma que tem a convicção de que, com o Estado, pode ser possível uma soluçao que resulte na reduçao das tarifas para os caminhoneiros.
Apesar da avaliação da AGCR, Beto Albuquerque, secretário estadual de Transportes, disse que vai incentivar os cidadãos a utilizarem as vias alternativas para fugir dos pedágios. ‘‘Iremos qualificar as estradas vicinais para evitar que um caminhão ande em estradas sem as mínimas condiçoes, colocando em risco a sua única fonte de recurso. As pessoas não fazem isso porque são masoquistas, porque gostam de sofrer. Elas procuram as estradas alternativas porque já não podem mais arcar com as despesas dos pedágios. Imagina agora com o aumento de 33,4%.’’