O governo paranaense reconhece o direito que os brasiguaios têm de voltar ao seu país, mas não quer pagar sozinho o preço desse novo fenômeno migratório. ‘‘Por que trazer essas famílias para o Paraná e não levá-las para seus Estados de origem?’’, pergunta José Carlos de Araújo Vieira, assessor especial para Assuntos Fundiários do governo.
Um cadastramento feito por Vieira no assentamento de brasiguaios na CNEC, em São Miguel do Iguaçu, apontou que 58% das cerca de mil famílias entrevistadas são originárias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. ‘‘O ônus precisa ser partilhado entre os Estados de origem dessas pessoas’’, insiste Vieira.
O assessor do governador Jaime Lerner (PFL) critica também a forma precipitada como os brasiguaios estariam retornando. ‘‘Eles (a Pastoral do Migrante e o MST) deveriam deixar as famílias onde elas estão e procurar soluções junto aos Ministérios das Relações Exteriores e da Reforma Agrária’’, defende. ‘‘Os brasiguaios saíram pela porta da frente e estão voltando como párias’’.
Waldir Dorini, chefe do escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para as regiões Oeste e Noroeste do Paraná, sediado em Cascavel, adiantou à Folha que o órgão pretende assentar os brasiguaios nos Estados de Mato Grosso e Pará. Segundo ele, o Paraná não tem áreas disponíveis suficientes para abrigar as 8,5 mil famílias que hoje esperam assentamento no Estado.
Segundo Dorini, as áreas no Norte e Centro-Oeste do País são de terra fértil, pronta para a agricultura e com bom acesso por estradas. O chefe do escritório do Incra diz que ‘‘convidou’’ líderes do MST na região para conhecer as terras disponíveis nos outros Estados. Ele deverá obter a resposta na terça-feira.
‘‘Lá poderemos fazer o assentamento imediato. Aqui no Paraná não teremos áreas até o primeiro semestre do ano que vem’’, compara. Neste ano, o Incra prevê assentar 5 mil das 8,5 mil famílias de sem-terra no Estado. Segundo o MST, o número de famílias acampadas no Paraná é bem maior: entre 10 mil e 15 mil.

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