Governo do Peru negocia com MRTA
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segunda-feira, 30 de dezembro de 1996
Reuter, de Lima 
Uma solução pacífica para a crise dos reféns de 12 dias no Peru parecia mais provável ontem depois que o governo e rebeldes marxistas, ainda mantendo 83 cativos, abrandaram posições de não fazer compromissos e se reuniram frente a frente pela primeira vez.
O presidente Alberto Fujimori enviou seu mediador, o ministro da Educação Domingo Palermo, para um longo encontro no sábado com o líder rebelde Nestor Cerpa Cartolini dentro da residência do embaixador japonês.
O fruto da reunião foi imediato: a libertação de 20 reféns, deixando 83 para trás.
Fora vários encontros que Fujimori teve em 1993, com Abimael Guzman, o encarcerado líder do movimento guerrilheiro Sendero Luminoso, nenhuma autoridade do governo teve contatos diretos com insurgentes peruanos em 16 anos de conflito.
Num comunicado lido por um dos recém-libertados cativos, os guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) expressaram desejo de se retirar da residência ocupada por meio de diálogo.
O comunicado, que tinha um tom mais conciliatório do que as duas declarações anteriores dos rebeldes, não fez menção à principal condição deles - a libertação de cerca de 400 companheiros presos.
Os rebeldes haviam inicialmente ameaçado matar todos os reféns se seus colegas não fossem libertados. Até ontem, eles haviam libertado mais de 420 dos cativos originais.
Apoiando a nova atmosfera, um porta-voz do MRTA na Europa, Isaac Velazco, disse ontem que o grupo estaria disposto a fazer algumas concessões em suas reivindicações para libertar os 83 reféns ainda mantidos pela guerrilha.
Insistimos na libertação de todos os nossos companheiros presos por razões políticas, mas consideramos que poderemos alcançar uma solução intermediária durante as negociações, afirmou Velazco, acrescentando que essas eventuais concessões ainda não foram debatidas pelos líderes do MRTA.
A declaração de Velazco deixa claro, pela primeira vez desde o início da crise, no dia 17, que o MRTA e o governo peruano estão negociando uma solução pacífica para o sequestro. Na véspera - depois de Palermo ter entrado pela primeira vez no local do cativeiro e conversado por três horas e meia com os sequestradores -, a guerrilha havia libertado 20 reféns para reiterar sua vontade de negociar. Palermo reconheceu, numa breve declaração, que as negociações estavam em curso.


