As novas contratações do Hospital Universitário de Londrina (HU) - cuja crise de pessoal chegou a render protesto de médicos plantonistas na semana retrasada - vão depender dos resultados de uma consultoria especializada em hospitais. O estudo foi encomendado pelo Governo do Estado para verificar possíveis distorções no quadro de funcionários e propor uma reestruturação interna. O HU é o maior hospital universitário estadual e tem hoje 1.788 servidores. Do total, menos da metade (783) estão alocados estritamente na área de saúde.
A consultoria, a cargo da empresa paulista Pró Saúde, é da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e deve ser entregue até o final do mês. O secretário da pasta, Aldair Rizzi, diz que o estudo deve embasar ações de dimensionamento de pessoal e mudanças na rotina interna do hospital.
''Queremos saber se realmente faltam funcionários e como está a distribuição deles, mas isso a partir de critérios técnicos'', afirma o secretário. Rizzi preferiu não analisar adiantadamente a situação do Hospital Universitário.
''Por isso pedimos a realização desse estudo. É simples dizer, por exemplo, que há muito mais técnicos administrativos que de enfermagem no HU, mas não sabemos quais os procedimentos exigidos em um hospital dessa complexidade que tem a maior média de atendimentos'', comenta. O HU tem hoje 249 técnicos administrativos.
A contratação emergencial de 63 novos funcionários, por enquanto, está cancelada. O secretário afirma que o assunto será retomado após o fim da consultoria.
Aldair Rizzi adianta ainda que os hospitais universitários de Cascavel e Maringá também passarão por um estudo idêntico ao que será feito em Londrina. Além do fato de ser a maior unidade, a escolha do HU para iniciar o processo de consultorias é reflexo da sequência de crises vividas pelo hospital, às voltas com superlotação de Pronto Socorro, falta de vagas nos leitos de UTI e, recentemente, de protestos pedindo a contração de mais funcionários. Em concurso recente para médico anestesista houve um inscrito. Aparelhos também estariam encostados por falta de técnicos e a média de cirurgias estaria abaixo da capacidade do hospital.
A superintendência do HU não quis se manifestar sobre o assunto. A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, vê com bons olhos a iniciativa do Governo do Estado, de realizar a consultoria. ''Sabemos que existem problemas estruturais antigos no HU e que a estrutura é complexa'', afirma a reitora.
Paralelamente ao estudo do governo, a reitoria da UEL montou uma comissão do conselho de administração do hospital para verificar as mesmas falhas. ''Para algumas pessoas - e acho que é esse o temor do Governo do Estado - pode parecer que tem muita gente trabalhando lá, mas existem justificativas. Embora esse seja um hospital escola, é também um hospital da rede, do SUS, e qualquer opinião leiga pode incorrer em erro'', argumenta a reitora. Lygia Pupatto acredita que, com a conclusão do estudo, o processo de contratações do hospital seja apressado.

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