Governo descontou e não repassou
Dirigentes de entidades sindicais que defendem os interesses dos servidores públicos, estão acusando o governo de desviar os recursos que deveriam ser investidos no atendimento à saúde dos segurados do Instituto de Previdência do Estado (IPE). Os sindicalistas querem saber onde está o dinheiro que foi descontado dos servidores, mas não foi parar nos cofres do IPE, que acumula uma dívida de R$ 35 milhões com os prestadores de serviços.
Romeu Gomes de Miranda, presidente da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), que é apoiado pela presidente do Sindisaúde, Mari Elaine Rodella, cobra uma posição do governo sobre o assunto, uma vez que os descontos nunca deixaram de ser feitos. De acordo com Miranda, se havia o desconto, o dinheiro também deve ter existido.
Pelo artigo 69, da Lei Estadual nº 10.219/92, aprovada no goveno Roberto Requião, recursos na ordem de 2% do valor total da folha de pagamento do Estado deveriam ser destinados aos serviços de assistência à saúde dos servidores. Com uma folha de pagamento de aproximadamente R$ 250 milhões, o governo deveria destinar R$ 5 milhões mensais para o atendimento pelo IPE.
O governo alega que esse artigo de lei estadual nunca foi regulamentado e por isso não há necessidade de ser cumprido o que determina. No começo da gestão Lerner, eram destinados ao IPE R$ 4,5 milhões, caindo ao longo dos anos para R$ 3,8 milhões, depois para R$ 3,3 milhões, até o Estado acumular um atraso de oito meses no repasse dos recursos.(G.F.)

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