O governo decidiu não usar força policial para cumprir as ordens de reintegração de posse nas áreas invadidas no Estado. Treze pedidos de reintegração com uso de força policial, para desocupar áreas invadidas em diversos pontos do Paraná, foram avaliados ontem à tarde em Curitiba, no gabinete do secretário de Segurança do Estado, Cândido Martins de Oliveira.
Entre as áreas estavam as fazendas Sagarana, Borborema e Cacique, todas na região de Londrina.
Segundo a assessoria de comunicação da secretaria estadual de Segurança, os pedidos analisadas já estavam com o prazo estipulado para o cumprimento vencido. A decisão, no entanto, foi por tentar encontrar uma saída negociada antes do uso da força policial.
O motivo, segundo Cândido Martins, é que os processos de negociação em todas as áreas avaliadas está em estágio bastante avançado. Ele acredita que ‘‘o diálogo é sempre o melhor caminho’’.
Participaram da reunião, além do secretário, Maria de Oliveira, superintendente do Incra, e representantes da Procuradoria Geral do Estado, Procuradoria Geral da Justiça, Cohabs e Polícia Militar, que compõem a Comissão Fundiária.
Segundo estatísticas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) hoje são, no total, 77 propriedades rurais ocupadas por trabalhadores sem-terra no Paraná, sendo 8.514 famílias, em uma área total de 99.488,99 hectares. Além das propriedades invadidas, há quatro acampamentos (áreas ocupadas fora de fazendas ou em rodovias), com 2.686 famílias.
O resultado da reunião contraria solicitação do presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Manoel Campinha Garcia Cid, que na semana passada cobrou do governo do estado uma posição mais firme quanto às invasões. Para ele, havia ‘‘indiferença e descaso’’ da Polícia Militar no cumprimento das liminares de reintegração de posse - acusação negada pelo comando do 5º Batalhão da PM em Londrina.
Ontem, Garcia Cid não foi encontrado para comentar o resultado da reunião entre a Comissão Fundiária e o secretário Cândido Martins: ele estava em viagem pelo Mato Grosso.

mockup