Governo descarta reajuste salarial já
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quinta-feira, 22 de maio de 1997
Elisa Marilia 
Da Sucursal
Albari Rosa/Folha de LondrinaLimitaçãoErbano (à dir.): Arrecadação não faz frente às necessidades de reajustes. Terça-feira servidores fizeram enterro simbólico do governador (destaque)O governo do Estado não vai reajustar os salários dos servidores do quadro geral a curto prazo. Os servidores estaduais de nível médio e operacional estão revoltados com o fato de o governo ter concedido reajuste de 80% para os servidores de nível superior e técnicos administrativos das universidades e faculdades estaduais e não aumentar os salários dos demais servidores, que estão há dois anos sem reajuste salarial.
Numa tentativa de evitar uma greve geral dos servidores estaduais, o diretor de Recursos Humanos da Secretaria de Estado da Administração (Sead), Luiz Erbano, recebeu ontem representantes do Fórum das Entidades Sindicais dos Servidores Públicos Estaduais. As negociações estão avançando mas tudo passa pela questão financeira. O governo optou por fazer as correções em etapas. Na realidade a arrecadação não faz frente às necessidades de reajustes salariais, argumentou Erbano.
Para Erbano, a situação dos servidores é delicada. Existe uma exigência de mais contratações e melhores salários. No entanto, o Estado gasta R$ 240 milhões com o pagamento de 220 mil servidores e isso representa cerca de 78% a 80% da arrecadação. Uma lei federal determina que em 1999 os estados não devem gastar mais de 60% da arrecadação com a folha de pagamento.
Na reunião, foi apresentada a pauta de reivindicações dos servidores, com 13 ítens que incluem a reposição das perdas salariais, a implantação do plano de cargos, carreiras e salários, a ampliação dos auxílios para transporte, alimentação e pré-escola, realização de concurso público para contratação de servidores públicos e correção dos desvios de função e licença especial.
Na análise dos representantes dos servidores, cerca de 40 mil funcionários passam por uma situação de penúria. Três contra-cheques apresentados ao diretor da Sead mostram por exemplo que a auxiliar administrativa em Maringá Lucila Marilia de Oliveira, funcionária há 26 anos, recebe R$ 327,00 por mês; a auxiliar de laboratório de análises clínicas Maria Ferreira dos Santos Neta, também de Maringá, recebe R$ 363,00 mensais com 23 anos de funcionalismo.
Quarenta servidores estaduais fizeram manifestação em frente ao Palácio Iguaçu terça-feira, quando enterraram simbolicamente o governador Jaime Lerner.


