O governo do Paraná decidiu, ontem, eliminar os descontos em folha de pagamento das contribuições sindicais de todos os servidores estaduais. Uma reunião do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal - da qual participou excepcionalmente a secretária da Educação, Alcyone Saliba - decidiu que o desconto seria cancelado. Ontem, a secretária anunciou a decisão à APP-Sindicato. ‘‘Achamos que isso vai criar um sindicato forte, que se preocupa com as questões da educação, e não com sua sobrevivência’’, disse.
Segundo Alcyone Saliba, a decisão do governo vai permitir tratar todos os sindicatos estaduais com isonomia. ‘‘O governo não é obrigado a prestar esse serviço de recolhimento da mensalidade sindical’’. A secretária colocou-se à disposição para orientar a APP sobre como montar um esquema alternativo para recolhimento da contribuição.
O Sindicato dos Servidores Estaduais (Sindiservidores) e a APP já entraram com mandados de segurança contra o governo. A informação sobre a decisão do governo caiu como uma bomba na reunião do Fórum dos Servidores Públicos, ontem, em Curitiba. As entidades reunidas discutiam, até o final da tarde, formas de mobilização e prometiam fazer manifestações em todo o Estado contra a medida.
‘‘Para a APP a medida começa a vigorar em janeiro. Isso é um absurdo. O governo quer desmantelar o sindicalismo no Estado’’, reagiu o presidente da APP-PR, Romeu Gomes de Miranda. Ele classificou a medida de ditatorial. ‘‘Nem durante a ditadura militar, com todos os seus horrores, aconteceu coisa semelhante. Não podemos aceitar uma coisa dessas. Não podemos deixar prevalecer uma só voz - a do governo - no Estado.’’
Segundo Miranda, a disposição dos sindicalistas é retomar, inclusive, a greve de fome, como ocorreu em novembro, quando a mesma medida foi tomada pelo governo. A APP reúne 42 mil sindicalizados em todo o Estado. ‘‘Todos assinaram uma ficha permitindo o desconto’’, salienta Miranda. As mensalidades são a única fonte de renda do sindicato e totaliza R$ 300 mil por mês. Segundo Miranda, a entidade possui 130 funcionários no Estado que, já a partir deste mês, correm risco de não ter salário. ‘‘A atitude do governo é contraditória, pois ao mesmo tempo que ele fala em emprego, provoca desemprego.’’

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