Governo começa a descartar o projeto
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sexta-feira, 26 de setembro de 1997
Curitiba 
O governo estadual já demonstra sinais de que descartou a construção de uma usina termoelétrica a carvão no Litoral paranaense (provavelmente em Paranaguá), em função dos riscos ambientais que o empreendimento traria à região. O projeto, desenvolvido pela Copel em parceria com empresas privadas (Inepar, Chilgener e Denerge), vem sendo criticado por ambientalistas, pesquisadores e outros segmentos da sociedade.
O governador assegura que não fará nada contra sua biografia de ambientalista e que o governo só entrará em projetos energéticos ambientalmente corretos, disse o secretário e chefe da Casa Civil, Rafael Greca. Ele ressalta a decisão sobre a instalação do empreendimento será tomada pelo presidente da Copel, Ingo Hubert.
Hubert disse ontem à Folha que se o Relatório de Impacto Ambiental de qualquer empreendimento da Copel indicar que a obra é indefensável do ponto de vista ambiental, ela não será realizada e ponto. Segundo ele, esta também é a posição do governador Jaime Lerner. Ambos aguardam os resultados dos Estudos de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima), previstos para serem entregues em novembro.
Os próprios integrantes da equipe responsável pelos estudos já admitem que o projeto de construção da usina seria inviável. Um dos principais problemas levantados pelos pesquisadores é a dificuldade de encontrar uma área para o depósito de carvão e das cinzas.
Para produzir 750 megawatts de energia (capacidade prevista no projeto), a usina teria que consumir 6 mil toneladas de carvão por dia. O volume de cinzas produzido após a queima necessitaria uma área de aproximadamente 25 hectares para o depósito.
A usina seria instalada a quatro quilômetros do centro de Paranaguá, e a cerca de cem metros de áreas residenciais. Outro empecilho ambiental seria a existência de canais subterrâneos de água, que poderiam servir para o abastecimento da cidade e teriam a qualidade comprometida com a construção do empreendimento.
Teria que haver padrões muito rígidos para o bom funcionamento da usina, e isso poderia tornar o empreendimento inviável economicamente, comenta o professor André Bittencourt, que integra a equipe responsável pelo EIA-Rima. O estudo está sendo realizado por professores e profissionais ligados à Funpar (Fundação da Universidade Federal do Paraná).
Na Assembléia Legislativa, o projeto da termoelétrica ainda não foi avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).


