Curitiba O governo do Estado do Paraná arrematou ontem, em um leilão realizado pela Justiça Federal, o prédio da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá por R$ 2,1 milhões. O governo era o único participante. Foi a segunda vez que o imóvel foi a leilão por determinação da Justiça em função de uma dívida de R$ 1,4 milhão que o hospital tem com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O lance inicial era de R$ 1,8 milhão, 60% do valor original (R$ 3 milhões), que foi oferecido no primeiro leilão quando não apareceu comprador. Os R$ 700 mil restantes do pagamento vão ser devolvidos à entidade executada, mantenedora da Santa Casa.
Segundo a secretaria de Estado da Saúde, o atendimento do hospital, que estava acontecendo normalmente apesar da dívida, vai continuar sem nenhuma interrupção. Com a compra, o governo pretende transformar a Santa Casa em hospital de referência no Litoral. O governo tem, segundo determinação da Justiça Federal, três dias para depositar o valor do lance, as custas da arrematação e a comissão do leiloeiro.
O leilão foi determinado pela juíza federal Ana Beatriz Vieira da Luz Palumbo em duas ações de execução fiscal promovidas pelo INSS. A administração da Santa Casa teria deixado de recolher a contribuição previdenciária dos funcionários em vários períodos entre 1988 e 1999. A instituição havia fechado suas portas no último dia 3 de junho sob a alegação de que não tinha mais como manter o atendimento, que já vinha acontecendo de forma precária. O provedor do Hospital, Olavo de Carvalho, admitiu na época que a decisão foi uma maneira de forçar o governo a fazer a intervenção e, dessa forma, assumir os custos para o atendimento mensal dos quase 750 pacientes.
Segundo a Agência Estadual de Notícias, entre as ações para transformar o hospital em referência regional estão o aumento do número de leitos, a reforma de toda a estrutura física, a ampliação de alas de acordo com a necessidade da população do Litoral. ''Agora vamos poder realmente fazer com que a Santa Casa atenda todo o Litoral, com a eficiência que a população precisa'', disse o chefe da 1 Regional de Saúde, de Paranaguá, Marcelo Capraro, que atua como interventor desde junho. O hospital realiza hoje 300 atendimentos por dia e de 8 a 10 partos.

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