Governo aposta na industrialização
Os índices negativos apresentados por institutos de pesquisa são rebatidos pelo governo do Estado, que coloca a industrialização do Paraná como o grande setor de geração de emprego dos últimos anos. O governador Jaime Lerner avalia que as indústrias que migraram para o Paraná nos últimos quatro anos poderão gerar até 100 mil empregos em todos os municípios paranaenses, acabando de vez com o desemprego.
Para cada emprego, a multiplicação da vagas de trabalho com os fornecedores e fornecedores dos fornecedores é de 40. Logo, se tivermos 2,5 mil empregados numa fábrica teremos 100 mil empregos no Estado, calcula o governador.
Mas, se por um lado as novas indústrias estão empregando, por outro, a maioria das empresas instaladas no Estado fechou postos de trabalho. A própria Federação das Indústrias do Paraná mostra em seus boletins mensais que os setores industriais passam por um momento de demissão.
O secretário estadual de Planejamento, Miguel Salomão, avalia que o Estado está perdendo emprego em algumas áreas, mas está gerando em outros setores. Ele cita ainda a questão do emprego formal, que é substituído pela terceirização. Toda vez que uma empresa terceiriza, os empregados deixam de ter carteira assinada, mas isso não representa que as pessoas estão desempregadas. Muitas vezes, até estão gerando mais empregos, diz o secretário.
Ele faz uma comparação ao dizer que o Produto Interno Bruto do Paraná cresceu 15 vezes em relação ao nacional. Segundo o secretário, o PIB não cresce sem geração de emprego e trabalho.
Salomão defende uma revisão nas leis trabalhistas no País. Hoje, as empresas têm um ônus grande para empregar. Um trabalhador chega a custar o dobro de seu salário para o empregador, que têm de descontar os encargos sociais.
Os encargos sociais são um fator de geração de desemprego, justificam muitos empresários. Os sindicalistas concordam que as leis trabalhistas amarram o trabalhador. O diretor do Sindicao dos Empregados em Entidades Sindicais, Fábio Aguayo, diz que uma pesquisa feita em cinco categorias profissionais indicou que as rescisões contratuais aumentaram em média 40% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao ano passado na cidade de Curitiba. As demissões sem justa causa podem indicar que o trabalhador está custando caro para a empresa, que sofre com a crise econômica, diz Anayo.
O comércio demitiu 4 mil funcionários, sendo que 91% foram sem justa causa. Entre bancários, uma das categorias que mais sofre com o desemprego, as demissões totalizaram 259 casos. Já na construção civil 1,4 mil operários perderam o emprego nos primeiros três meses do ano. (C.M.)





