A nomeação de 94 agentes para o Hospital Universitário (HU) de Londrina, anunciada ontem pelo governador Beto Richa, vem amenizar a deficiência de pessoal da unidade, mas de acordo com superintendente Elizabeth Ursi, é preciso uma análise técnica e aprofundada para saber o real impacto dessas contratações.
Além de Londrina, também foi anunciada a nomeação de 138 agentes para o HU de Maringá (Noroeste) e 23 para o HU da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). As nomeações do pessoal aprovado em concursos públicos devem ocorrem em dez 10 dias.
De acordo com o governador, "a contratação desses profissionais atende situações pontuais, que exigiam a mais pronta resolução." Ele também afirmou que "os hospitais universitários prestam um serviço essencial à população e, com a nomeação dos agentes, darão prosseguimento às suas atividades com eficiência e a qualidade esperada pela população."
A superintendência do HU de Londrina fechou o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) e restringiu o atendimento no pronto-socorro. A medida, que está valendo desde segunda-feira, foi tomada em virtude da falta de servidores para suprir a demanda. O deficit apontado pela instituição é de 344 servidores.
O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), João Carlos Gomes, disse esperar que com a nomeação a situação do HU se normalize. No entanto, Elizabeth afirmou que fará os cálculos para definir quais serviços poderão ser retomados. "Esses servidores vão minimizar a situação, mas precisamos fazer uma análise técnica e mais aprofundada para ver o que realmente dá para fazer", comentou.
Após a posse, os novos servidores passaram pela etapa de acolhimento. Os médicos recebe orientação do funcionamento do hospital e os cargos técnicos recebem treinamento entre 20 e 30 horas, no posto de trabalho.
A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Jordão, afirmou que as nomeações são bem-vindas e que quantitativamente é possível ter uma solução do problema. No entanto, segundo ela, é preciso ver para quais cargos os agentes estão sendo nomeados. "Vamos procurar abrir de imediato à medida que essas contratações recomponham as equipes", afirmou.
O CTQ tem deficit de médico anestesiologista e intensivista, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem. "Numericamente é possível, mas só vamos abrir o CTQ se o qualitativo desses profissionais for alcançado", frisou a reitora.
O setor está lotado com 16 pacientes e mesmo que os funcionários nomeados já estivessem trabalhando não poderia receber novos pacientes. "A não recepção de novos pacientes é para que consigamos não ter mais ninguém internado", explicou a superintendente.

Autorização
O hospital tem um deficit de 344 funcionários e direção precisou fazer um remanejamento de pessoal para manter o atendimento em outros setores da unidade. No PS apenas pacientes encaminhados pelo Siate e Samu são recebidos. Usuários que procuram espontaneamente a instituição são orientados a ir para as unidades de saúde da rede municipal. Ontem, o setor estava com 69 pacientes. A capacidade é para 47.
De acordo com o secretário, as nomeações anunciadas ontem zeraram os pedidos de contração feitas pelo HU à Seti. "A demanda de 344 servidores não existe aqui na secretaria", disse.
Apesar da defasagem existir, Elizabeth afirmou que o secretário está certo sobre não haver a demanda na Seti. Isso ocorre porque para abertura de concurso e nomeação de servidores é preciso anuência da Secretaria de Administração, que no caso do HU autorizou apenas 92 vagas.
"O caminho para resolver essa situação é uma política de vagas para o HU. À medida que as vagas fossem abertas (por aposentadoria, exonerações, morte) os processos de contratação deveriam ser feitos, sejam por candidatos aprovados em concurso ou por teste seletivo", enfatizou a superintendente.
A reitora afirmou que 102 vagas ainda estão sem anuência para que seja aberto concurso. Outras vagas estão em processo de realização de concurso e homologação. "O processo é dinâmico e todas as nossas vagas estão encaminhadas. O que esperamos é que esse fluxo de contratação seja contínuo para que não enfrentemos novamente o mesmo problema."
O secretário afirmou que existe a possibilidade da abertura de novos concursos, mas que isso depende da questão orçamentária e da abertura de editais por cada instituição. "Para a contratação desse pessoal (255 nomeados) precisou uma suplementação do orçamento na área da saúde. Havendo orçamento poderá haver mais concursos, mas as contratações são um processo dinâmico e vamos analisar caso a caso."

mockup