Governo anuncia desconto de dias parados
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segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Israel Reinstein e Erika Wandembruck (BR) De Curitiba 
Os professsores e funcionários em greve das universidades estaduais vão ter os dias descontados. A decisão foi anunciada ontem pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado, Ramiro Wahrhaftig, e segue a estratégia do governo de endurecer contra os grevistas. Além de Wahrhaftig, a secretária de Educação, Alcyone Saliba, e o secretário de Administração, Ricardo Smijtink, anunciaram que terão a mesma postura caso aconteçam paralisações dos professores da rede estadual e outros setores.
A postura do governo estadual é de evitar uma negociação neste momento com os funcionários e conversar somente após a venda da Copel. ''O governador Jaime Lerner já se comprometeu em conceder reajuste depois da privatização'', disse a secretária Alcyone Saliba, acrescentando que os sindicatos estão ''politizando'' o assunto.
Miguel Baez, secretário de imprensa da APP-Sindicato dos Professores, afirmou que o governo está chantageando os servidores, ao vincular o reajuste à venda da Copel. ''Estudos mostram que o governo aumentou a arrecadação e não tem problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal, por isso poderia reajustar os salários'', disse Baez, integrante do Fórum dos Servidores Públicos, que reúne 14 sindicatos de servidores estaduais.
Baez admitiu que a pressão do governo pode inibir alguns funcionários, exatamente no momento em que está se articulando a greve. ''Os professores estaduais não iniciaram hoje a paralisação, ainda é preciso conversar com pais e alunos e convencer alguns colegas indecisos'', afirmou. Mesmo problema enfrentam os servidores em saúde pública. A coordenadora do Sindisaúde, Mari Elaine Rodella, disse que os funcionários estão ''acanhados, com medo de aderir ao movimento por conta de ameaças dos que ocupam cargos de chefia''.
Atualmente estão em greve os professores e funcionários das universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG) e Oeste do Paraná (Unioeste). Os mais de 2,5 mil trabalhadores em saúde pública fazem paralisações amanhã e quinta-feira. De acordo com o Sindisaúde, as manifestações irão acontecer em alguns dos 18 hospitais e 15 bancos de sangue do Estado.
Por causa da estratégia de greve, os locais das mobilizações só serão divulgados minutos antes do ato. ''Faremos paralisações parciais por quinze dias. É o tempo que precisamos para convencer os servidores a deflagrarem greve geral, por tempo indeterminado'', disse a coordenadora do Sindisaúde, Mari Elaine Rodella.


