O governo do Estado anunciou ontem a morte de quatro pessoas na rebelião da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba. Foram confirmadas pelo secretário da Segurança, José Tavares, as mortes de três detentos e do agente penitenciário Luciano Aparecido Amâncio, 30 anos. As mortes só foram divulgadas porque um detento, que teria conseguido fugir dos líderes do motim, relatou aos policiais a situação dentro do presídio. Depois que sobre das mortes, a esposa de Luciano Amâncio, Maria Aparecida, teve que ser atendida por uma equipe médica que estava em frente à PCE.
A notícia sobre as mortes deixou ainda mais tenso o clima das negociações entre o governo e os líderes do motim, a maioria integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A infomração sobre as mortes atrapalhou a remoção dos 23 presos, que seriam transferidos para outros estados no início da manhã de ontem, mas que até a noite ainda permaneciam no controle interno da PCE (leia matéria na página 2). A rebelião já entra em seu sexto dia.
Os amotinados libertaram o primeiro refém pela manhã. O chefe de Segurança da PCE, Marcelo Leôncio, foi liberado com a garantia de que iria confirmar, em entrevista à imprensa, que o grupo não foi responsável pelo assassinato do policial que ele disse ter presenciado. O PCC assumiu a responsabilidade por três das quatro mortes e exigiu garantia do Ministério da Justiça de que as transferências ocorreriam sem problemas.
De acordo com Leôncio, Luciano Amâncio foi morto logo no primeiro dia do motim, por volta das 17h30 de quarta-feira. Ele foi obrigado a abrir as portas da carceragem. Leôncio disse o agente estava nervoso, um preso de nome Repeck achou que ele estava enrolando e o esfaqueou.
Irritados com a morte, segundo o policial, integrantes do PCC mataram o preso. Na sequência, o PCC executou outros dois detentos, que teriam saído em defesa de Repeck. Os rebelados impediram que o IML entrasse para retirar as vítimas. Apesar das confirmações, nenhuma autoridade viu os corpos.
No período da tarde foram liberados mais dois reféns: José Benedito e José Wanderley Santos. A imprensa não teve acesso aos agentes liberados.

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