Governo adia pagamento dos servidores
Luciana Pombo
Os 190 mil servidores públicos estaduais (entre ativos, inativos e pensionistas) que esperavam receber hoje os salários relativos ao mês de junho não irão encontrar nas contas correntes o valor depositado. É que o governo do Estado resolveu atrasar em um dia o pagamento dos salários do funcionalismo, alegando uma reformulação nas contas públicas. Tivemos um problema de fluxo de caixa e resolvemos depositar o dinheiro no último dia do mês, explicou José Cid Campêlo Filho, secretário de Governo.
Para a secretária de Administração do Estado, Maria Elisa Paciornick, os contratempos ocasionados pelo bloqueio de recursos da Paranaprevidência - empresa responsável pelo pagamento dos servidores inativos e pensionistas - com as 12 liminares acolhidas pela Justiça foram os grandes causadores do atraso. Acho que o Estado não estava preparado para esta situação, defendeu ela.
Já o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse ontem que a ação partiu exclusivamente da sua pasta, que resolveu fazer uma reformulação nas contas do Estado. De acordo com ele, as transferências federais (imposto de renda e fundo de participação dos estados) acontecem sempre no último dia do mês e o Estado tinha que adiantar estes recursos para depositar os salários dos servidores. É uma incoerência fazer o depósito aos funcionários enquanto o recurso federal está imexível, temos que esperar liberar, afirmou ele.
Gionédis adiantou que esta prática deverá ser adotada para todas as futuras folhas de pagamento do Estado. A partir de agora faremos o depósito no último dia do mês, desta forma teremos as contas reequilibradas, disse. Atualmente, o Estado arrecada R$ 330 milhões por mês(valor líquido) e repassa R$ 250 milhões (75%) para quitar a folha de pagamento.
Enquanto o governo tenta dar explicações para o atraso no depósito dos salários, os servidores já começam a somar os prejuízos. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Estaduais, Wladimir França, a maioria dos funcionários do Estado tem dificuldades financeiras e contraiu empréstimos. O problema é que o desconto em conta corrente estava previamente programado para o último dia do mês. O que vai acontecer é que o banco irá recusar o débito automático e o servidor terá que arcar com os juros do empréstimo, além da CPMF e do IOF, cobrados pelo sistema financeiro, disse França.
Segundo o presidente do Sindiservidores, o governo está com um déficit de caixa e terá dificuldades para efetuar os pagamentos dos funcionários nos próximos meses. Temos informações de que os salários do mês que vem serão atrasados em mais de cinco dias e tememos pelo futuro, afirmou. França pretende marcar uma reunião com a secretária Maria Elisa Paciornick para os próximos dias. Temos que resolver esta questão e saber até que ponto seremos prejudicados pelo déficit público, alegou ele.
Manifestação - Os servidores públicos do Legislativo e do Judiciário não são atingidos pelo atraso dos salários. Eles receberão o pagamento normalmente, por fazer parte de sistemas com autonomia financeira. Mesmo com o salário do mês no bolso, os funcionários do setor judiciário vão fazer hoje uma mobilização em frente ao Tribunal de Justiça, no início da tarde. Eles querem reajuste de 53,06% nos salários, além de benefícios como ticket alimentação e vale transporte.





