Governo abre centro para produzir mudas
Governo abre centro para produzir mudas
Difusão de técnicas de reflorestamento e fornecimento de mudas de árv ores são os objetivos do Centro Paraná Floresta
Da Redação
Joel RochaProdução verdeNo novo centro, um laboratório de sementes vai garantir a produção de mudas de árvoresO Paraná ganha mais um importante mecanismo no combate ao desmatamento e à agressão ao meio ambiente. Na abertura da Semana do Meio Ambiente, o governo do Estado lançou ontem, em São José dos Pinhais, o Centro Paraná Floresta, que vai funcionar como apoio ao silvicultor (produtor de florestas), às 25 unidades do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e aos programas de desenvolvimento florestal.
Com uma área de três alqueires no Guatupê, o centro será utilizado para o cultivo de mudas e a difusão de técnicas de reflorestamento, com viveiro e laboratório de sementes. O Paraná avança ainda mais para um desenvolvimento rural baseado na agro-silvicultura e não apenas na agricultura, como era de sua tradição, afirma o diretor de Desenvolvimento Florestal do Instituto Ambiental do Paraná, Luiz Carlos Herde.
Com o novo projeto, que produzirá cerca de um milhão de mudas anuais, o Estado busca diminuir ainda mais o déficit florestal, que só começou a ser combatido de maneira mais consistente a partir de 1995. Antes disso, segundo Herde, o Paraná não tinha um planejamento para a promoção do desenvolvimento florestal. Pelos cálculos do IAP, o déficit de reflorestamento está em 47 mil hectares.
Hoje, o Estado alcança o plantio de 110 milhões de árvores por ano, em 55 mil hectares. Trata-se de uma mudança profunda no panorama florestal do Estado, cujo replantio, nos últimos dez anos, não conseguia ultrapassar um terço do consumo da matéria-prima. Ou seja, das 200 árvores cortadas por minuto, apenas 80 eram repostas. Atualmente, num universo de 200 árvores cortadas, o replantio é de 180. A tendência é até o fim do ano chegar ao equilíbrio e começar a formar uma poupança.
O traço fundamental dessas iniciativas que visam amenizar os problemas ambientais vem sendo a descentralização e as parcerias entre o Estado e a sociedade. Isso permitiu, entre outras vantagens, que os pequenos produtores também passassem a participar da silvicultura, antes concentrada nas mãos do grande produtor, afirma o engenheiro agrônomo do IAP, Sérgio Mudrovitsch de Bittencourt.
As mudanças começaram há 14 meses, com a criação do programa Serflor. O programa tem o objetivo de recuperar e manter a base florestal do Estado. O programa garante um controle em tempo real do corte e replantio de árvores, num sistema inédito no País, conta Herde. Cada usuário de matéria-prima florestal está cadastrado no Serflor, assim como o produtor.
O Programa Estadual de Desenvolvimento Florestal (Prodeflor) cuida do fomento e da extensão florestal. É responsável pela coleta de sementes florestais e produção de mudas de árvores. Equipes percorrem 50 mil quilômetros por ano coletando sementes, que depois são beneficiadas e analisadas pelos laboratórios do IAP. Já no programa Florestas Municipais há uma parceria entre o governo e as prefeituras. O governo entra com insumos e tecnologias e as prefeituras, com o técnico, mão-de-obra para o viveiro.
Para conseguir o equilíbrio entre a demanda e a oferta de matéria-prima, o Paraná tem o Sistema Estadual de Reposição Florestal Obrigatória (Serflor), que faz o gerenciamento da contabilidade florestal para atingir a auto-sustentabilidade.





