Governo abandona de vez o projeto
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de novembro de 1997
Guilherme Pupo 
Curitiba
O governador Jaime Lerner determinou ontem a suspensão do projeto da usina termoelétrica a carvão em Paranaguá, no Litoral paranaense. Os estudos estavam sendo coordenados pelo Grupo Empresarial Termelétrico do Paraná (Getep), formado pela Copel e pelos grupos privados Chilgener, Inepar e Denerge. Determinei à Copel que estude outras fontes alternativas de energia, como a eólica, para prevenir o déficit energético que se projeta para os próximos anos, disse o governador.
Lerner negou que a suspensão do projeto tenha sido motivada pela pressão de ambientalistas, mas disse que quer soluções energéticas impecáveis sob o aspecto ambiental. Também sou um ambientalista. O projeto estava causando uma polêmica muito grande e o Paraná não é o lugar adequado para a instalação de um empreendimento como esse, disse.
O projeto da termoelétrica vinha sendo criticado por entidades ambientalistas desde o seu lançamento, no primeiro semestre deste ano. Estudos informavam que a usina colocaria em risco praticamente todos os balneários do Paraná, com a emissão de resíduos poluentes. Para gerar 700 megawatts, a usina queimaria 6.150 toneladas de carvão e lançaria na atmosfera cinco toneladas de cinzas diariamente.
A suspensão do projeto é o resultado de uma briga longa e cansativa. O governador fez o papel que devia fazer: cuidar dos interesses públicos e coletivos, comentou a ambientalista Teresa Urban.
Lerner anunciou a suspensão do projeto antes da divulgação do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) sobre o empreendimento, que fica pronto na próxima semana. Para um dos coordenadores do Rima, o professor Rodolfo Angulo, a decisão do governador não surpreendeu. O Rima faz apenas uma avaliação técnica, mas existiam implicações políticas e estratégicas para a aprovação do empreendimento, e o governador deve ter considerado esses aspectos, disse ele.
Já os diretores do Getep foram surpreendidos com a declaração de Lerner e não quiseram comentar nada.
A reportagem da Folha já havia informado, há cerca de um mês, que o governo estadual dava sinais de que a construção da termoelétrica seria descartada em função dos riscos ambientais do empreendimento. Um documento assinado pelo presidente da Copel, Ingo Hubert, também comprovava que a companhia havia desistido de levar adiante o projeto de instalar uma termoelétrica no litoral.


