Governador quer fundo para catástrofe
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
Paulo Pegoraro Nova Laranjeiras 
O governador Jaime Lerner (PDT) disse ontem em Nova Laranjeiras (350 quilômetros a oeste de Curitiba) que quer criar um fundo permanente para atender catástrofes, como o furacão que praticamente destruiu a cidade na sexta-feira. Jaime Lerner chegou às 15h15 à cidade, fez um sobrevôo e depois percorreu de carro todos os locais atingidos, acompanhando os preparativos da Defesa Civil para a recontrução da cidade. Quando acabara de chegar, a Defesa Civil confirmou a identidade da quarta vítima fatal do furacão.
Jaime entregou ao prefeito José Lineu Gomes (PMDB) um cheque de R$ 200 mil para as primeiras medidas de reconstrução. Ele disse que órgãos de governo destacados para a cidade não sairão até que se restabeleça a normalidade. O governador acrescentou ter ficado impressionado com o que viu do alto e depois conferiu de perto. Olha, parece que um túnel se formou no vale para a passagem do vento destruidor, comentou. Nova Laranjeiras está localizada numa depressão, entre duas elevações.
Segundo o governador, embora a Defesa Civil tenha recursos, e secretárias e outros órgãos sejam acionados para socorrer populações, quando ocorre destruição provocada por fenômenos naturais, há necessidade de um fundo permanente, que possa ser imediatamente utilizado. O governo começará a preparar imediatamente a criação deste fundo. Não há ainda estimativas do volume de recursos necessários para a reconstrução da cidade. A Defesa Civil e a prefeitura trabalham com levantamentos diferentes.
Conta bancária O prefeito José Lineu Gomes assegura que o do município é mais atualizado e abrangente. Ele indica 329 casas com perda total e 150 possíveis de serem recuperadas. Sem contar estabelecimentos comerciais e de um total de aproximadamente 600 edificações que existiam. Além disso, houve grandes estragos na zona rural. O fornecimento de energia elétrica foi parcialmente restabelecido pela Copel, mas os telefones ainda não funcionam até ontem à tarde. Foi aberta uma conta no Banestado (037-15450-3) para doações em dinheiro. A quantidade de donativos em bens já é expressiva.
Apenas de Cascavel foram 23 caminhões lotados e chegaram cargas de todo o Oeste e Centro-Oeste do Estado, a maioria levada para a vizinha cidade de Laranjeiras do Sul. Em Nova Laranjeiras não há locais em condições de recebê-las. Desabrigados permanecem durante a noite em uma escola na cidade vizinha.
A alimentação é suficiente. O Estado enviou sopão e outros alimentos são doados por municípios vizinhos. Dezoito municípios decidiram destinar mensalmente no mínimo R$ 1 mil a Nova Laranjeiras, durante seis meses, para ajudar na reconstrução.
Casas moduladas O governo vai custear a construção de casas moduladas de 60 metros quadrados, sem divisórias e com banheiro. A mão-de-obra será dos próprios desabrigados, sempre que possível. Para cada família será pago R$ 6,00 ao dia pelo trabalho. Engenheiros de Departamento de Construção do Estado coordenarão as obras, com ajuda de engenheiros dos municípios. Até aqui o apoio tem sido exemplar, avalia o prefeito José Lineu Gomes. Mas isso não pode esfriar, com o passar dos dias, quando a emoção diminui. Ele estima que apenas para recompor os serviços públicos serão necessários dois meses.
O comandante da Defesa Civil, coronel Luiz Antonio Borges, informou que 92 pessoas foram atendidas em hospitais da região. Quarenta e três chegaram a ser internadas. Destas, 29 ainda permaneciam internadas ontem, nove em estado grave. A quarta vítima foi identificada apenas como Antonio Bdinski. As outras são Claudionor da Silva, 15 anos, Celso Nunes, 40, e Martina Mussolini, 65 anos. Todas morreram sob os escombros. Ao receber o relatório, o governador Jaime Lerner disse que uma coisa é ver o relatório, outra é ver de perto o que aconteceu aqui, inimaginável à distância.


