O governador Jaime Lerner (PFL) e representantes das famílias de avicultores que forneciam frangos ao Frigorífico Chapecó, de Cascavel, negociaram no início da tarde de ontem o fim da greve de fome, que durou seis dias. O protesto foi feito por 16 pessoas, quatro das quais já estavam debilitadas. O governador assumiu o compromisso de buscar solução, no máximo dentro de 60 dias, para a reativação do frigorífico, parado há 19 meses, em decorrência de crise financeira do grupo Chapecó.
Às 11 horas, cerca de 400 avicultores invadiram as instalações da indústria, a 10 quilômetros da cidade. Eles quebraram vidros de portas para entrar na sede administrativa, para onde transferiram o acampamento montado há quatro meses na frente da unidade. Policiais militares e alguns vigias da empresa apenas acompanharam a ação. O complexo, hoje vazio, já teve mil funcionários.
Jaime Lerner estava ontem no Sudoeste do Estado. Em Francisco Beltrão, ele recebeu alguns prefeitos de municípios de origem dos avicultores e José Lino Bergamin, presidente da Cooperativa de Produção dos Trabalhadores Rurais do Oeste (Cooperoeste), que representa as famílias.
A conversa foi por volta das 14 horas e a seguir Bergamin pediu que a greve de fome fosse encerrada. ‘‘Mas a decisão é deles, pois foram espontaneamente para o sacrifício’’, observou. A informação foi levada pela Folha aos 12 homens e quatro mulheres que faziam a greve de fome em barracos montados na frente da catedral de Cascavel.
Terezinha Bergamin, mulher de Lino, e José Camilo, coordenador de uma comissão de pequenos agricultores que apóia a mobilização dos avicultores, ligaram então para Francisco Beltrão, confirmando o pedido do presidente da Cooperoeste. No final da tarde, iniciaram-se os preparativos para desmontar os barracos e os grevistas deveriam ser levados ao hospital para exames e alimentação especial. Antes, foi celebrada uma missa nos próprios barracos, com participação de grande número de pessoas solidárias ao grupo.
Abalo Um dos grevistas, Irio Sariolli, 48 anos, deveria seguir à noite para Pranchita (107 km a oeste de Francisco Beltrão), onde reside sua mãe, a viúva Angela Sariolli, de 76 anos. Ela foi hospitalizada com abalo emocional e complicações cardíacas porque soube do protesto do filho.
Irio estava desesperado, depois de seis dias afirmando que ‘‘se preciso, a gente morre aqui, mas não sai sem solução’’. O médico Lísia Tomé, secretário municipal de Saúde, que coordenou o atendimento ao grupo, já estava disposto a recorrer ao Ministério Público para forçar o recebimento de alimentação pelos grevistas por causa do risco de vida.
O drama das famílias começou quando o grupo Chapecó desativou o frigorífico, que chegou a abater 100 mil cabeças de frango ao dia. Eles contraíram financiamentos (total de R$ 5 milhões) para implantar 486 aviários e, poucas semanas depois da desativação, para equipamentos sofisticados exigidos pela empresa.
Para muitos, produzir frangos era a principal ou única fonte de renda. Durante um ano e meio, esperaram negociações entre a Chapecó, bancos credores da empresa um grupo argentino interessado na compra do frigorífico, mas o negócio não foi realizado. Por isso, homens e mulheres inicialmente montaram barracos na indústria, e no sábado partiram para a greve de fome.
O que ficou acertado

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