Se havia alguma chance da paralisação dos servidores estaduais ser encerrada em breve, ela se extinguiu ontem de manhã, quando o governador Jaime Lerner anunciou o bloqueio dos repasses de verbas às três universidades. ‘‘O governador jogou um balde de gasolina na fogueira’’, resumiu o presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Itamar Rodrigues Nascimento.
Na avaliação do sindicalista, caso não seja revista, essa decisão pode ter um resultado contrário ao que previu o governador. Em vez de apressar o fim da greve, Nascimento disse que o corte dos repasses para pagamentos dos salários deve engrossar o movimento paredista, com mais servidores aderindo à paralisação.
Hoje, os servidores vinculados à Assuel se reúnem logo pela manhã, para decidir se aceitam ou não a proposta feita pelo juiz federal da 2ª Vara em Londrina, Danilo Pereira Júnior, de retomar as aulas, no mínimo para todos os formandos. ‘‘Acho muito difícil essa proposta ser aprovada’’, antecipou. A resposta ao juiz deve ser dada hoje, às 11 horas.
Já os servidores da saúde decidiram pedir ao reitor que garanta o pagamento de 100% dos salários. Definiram também que caso o pagamento não saia no dia 28, irão paralisar as atividades e só atenderão os pacientes internados. Um terceiro ponto foi a proposição de uma ação judicial pedindo a prisão de Lerner, por não ter reposto as perdas anuais dos servidores com a inflação nos últimos seis anos, como manda a Constituição Federal.
A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (SinSaúde), Ana Maria da Cruz, contestou o argumento de que os servidores não estariam trabalhando. Ela garantiu que pelo menos 75% dos servidores do Hospital Universitário (HU) e 50% dos vinculados ao Hospital de Clínicas estão cumprindo as escalas. A proposta da Justiça Federal para encerrar a greve nem foi colocada em votação.
Os professores também decidiram engrossar com o governo. Segundo o professor Kennedy Piau, do comando de greve da UEL, eles vão pedir na audiência na Justiça Federal que Pereira Júnior, além de acionar judicialmente o governador, proponha a retirada do projeto de lei sobre autonomia e a modificação nos anexos 1 e 4 do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), relativo à tabela de vencimentos. Eles querem que a tabela privilegie com aumentos maiores os servidores que ganham menos.
O professor Luiz Fernando Reis, do comando de greve da Unioeste, ressaltou que o comando unificado deverá entrar com uma petição junto ao Tribunal de Justiça para que o governo acate a decisão tomada pelo próprio TJ em outubro do ano passado, obrigando o pagamento.
O secretário Ramiro Wahrhaftig rebateu a possibilidade de o governo ser cobrado na Justiça por não ter repassado aos salários as perdas com a inflação. Ele apontou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito abrange o funcionalismo de maneira geral e não especificamente servidores estaduais. ‘‘A sentença é genérica e não estabelece penalidades.’’ (Colaborou Gilmar Agassi, de Cascavel).

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