Governador garante obra de porto seco
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O governador Jaime Lerner (PFL) lançou ontem a pedra fundamental das obras da Estação Aduaneira de Cascavel (Eadi), ou porto seco, como são denominadas as estruturas que fazem o desembaraço de exportações e importações fora de alfândegas de portos marítimos. O governador salientou que o complexo deve aumentar consideravelmente a condição de Cascavel como um dos pontos geopolíticos e econômicos mais importantes do Estado, porque a Eadi fará o desembaraço de cargas oriundas ou endereçadas ao Paraguai, Argentina e Centro-Oeste brasileiro.
O porto seco integra um projeto de integração logística de todo o Estado, segundo o governador, lembrando o fato de haver outros três complexos alfandegários no Paraná, em Paranaguá, Foz do Iguaçu e Maringá. No caso de Cascavel, a importância da estação é ampliada, porque ela funcionará junto ao terminal da Ferrovia Paraná Oeste e à margem da BR-277 (Foz do Iguaçu-Paranaguá), a 15 quilômetros da cidade, e onde se pratica facilmente o sistema intermodal de transporte, com caminhões fazendo o transbordo de cargas, da rodovia para a ferrovia.
As obras da Eadi serão formalmente iniciadas na próxima semana, ao encargo do consórcio formado pela Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), Ferrovia Paraná e Transportadora Lua de Prata (de Londrina), que venceu concorrência aberta pela Receita Federal para operação da estrutura, pelo prazo de 10 anos. O complexo terá 2 mil metros quadrados e as obras estão orçadas em R$ 2 milhões. O principal desembaraço deve ser de produtos agrícolas. Apenas da região polarizada por Cascavel saem anualmente mais de 1,5 milhão de toneladas de soja para embarque no Porto de Paranaguá.
As cargas poderão ser embarcadas nas composições da ferrovia para transporte ao porto, onde serão transferidas para navios sem o moroso processo burocrático. Entre todas as mercadorias, a estimativa é de que já no próximo ano sejam movimentadas 30 mil toneladas através do porto seco de Cascavel. O projeto tem reflexos no âmbito do Mercosul, uma vez que Cascavel está próxima ao Paraguai Argentina, parceiros do Brasil no bloco econômico. A estimativa é de que em seis meses as obras da estação estejam concluídas, segundo o presidente da Codapar, Valter Pegorer.
O governador também inaugurou ontem em Cascavel uma Unidade Regional de Recebimento e Triagem, do programa Terra Limpa, na qual serão recebidas embalagens de agrotóxicos vazias para reciclagem ou incineração, evitando que permaneçam nas propriedades rurais, como fator de contaminação do solo e água, afetando populações, rebanhos, fauna e flora. Estima-se que anualmente sejam utilizadas 14 milhões de embalagens de agrotóxicos. Em todo o Estado já estão construídas 14 unidades (ao custo de R$ 300 mil cada uma). Outras 14 unidades de recebimento deverão ser construídas no ano que vem.
Ainda em Cascavel, o governador e a secretária de Cultura, Lúcia Camargo, deram início ao programa de interiorização do projeto Comboio Cultural. Sete ônibus-palco passam a percorrer o Estado com grupos de música, dança, teatro e outras atividades culturais. À tarde, o governador esteve em Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel), ao lado do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, e da embaixadora da Noruega no Brasil, Liv Kerr, para assinatura do termo de cooperação técnica que resultará na implantação de um centro de pesquisa em piscicultura, pelo instituto norueguês Akvaforsk.Estrutura alfandegária será construída em entroncamento ferroviário e rodoviário, atendendo também países do Mercosul
Edson MazzettoAGROTÓXICOSJaime Lerner e autoridades inauguram Unidade Regional de Recebimento e Triagem do Terra Limpa





