O governador Jaime Lerner (PFL) garantiu ontem, em Curitiba, o cumprimento das ações judiciais de reintegração de posse nas áreas invadidas pelos sem-terra no Paraná. Em entrevista convocada no final da tarde, o governador disse que não vai tolerar a ‘‘baderna’’ no campo, e as desocupações vão se dar onde houver rompimento do acordo firmado no mês passado de que novas áreas não seriam invadidas. Isto exclui o cumprimento das ordens de despejo na região Noroeste do Estado onde, segundo Lerner, as negociações estão dando certo.
‘‘Vamos agir com rigor, cumprir as ações judiciais e cumprir aquilo que a sociedade paranaense espera do governo do Estado’’, disse Lerner. Momentos antes da entrevista, o governador esteve reunido com o presidente da Ocepar João Paulo Koslovski, e da Faep Ágide Menegheti.
‘‘Não podemos assistir à cenas semelhantes mostradas na mídia sob pena de termos um processo não pacífico na negociação do problema’’, disse, referindo-se às cenas de agressão e declarações de sem-terra que invadiram a Fazenda Cordilheira, em Jundiaí do Sul (64 quilômetros ao sul de Jacarezinho), no final de semana.
O anúncio do governador, porém, não vai representar a desocupação imediata nem em Jundiaí do Sul, nem nas fazendas ocupadas em Nova Cantu, no Centro-Oeste do Estado.
De acordo com o secretário de segurança, Cândido Martins de Oliveira, o governo vai montar primeiro a estrutura para as desocupações e depois vai decidir quando e onde isso será necessário. ‘‘A polícia está preparada para promover desocupações pacíficas, evitar conflito e mortes’’ reforçou, mas admitiu que não há prazos fixados para isso acontecer. ‘‘O pelotão da negociação vai sempre na frente’’, explicou, respondendo se as ordens serão cumpridas com reforço policial.
Pela manhã, na sede do Comando da Polícia Militar, Cândido Martins de Oliveira disse que se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizar alguma ação violenta, o governo do Estado vai reagir imediata e energicamente. ‘‘Não vamos mais admitir atos criminosos’’, disse.
O encontro com o comando da Polícia Militar serviu para traçar estratégias de controle dos conflitos agrários. Ninguém revelou detalhes, mas ficou evidente a possibilidade de deslocamento de efetivo da PM para os focos de tensão no campo. O tenente-coronel Arthur Canfild, chefe do Estado Maior do Comando do Policiamento do Interior (CPI), afirmou que essa medida vai depender de cada situação.
‘‘Nós temos 10 mil homens no interior, um efetivo que pode ser disponibilizado quando for preciso’’, assegurou Canfild. O secretário de Segurança Pública fez questão de ressalvar: ‘‘A determinação é evitar o confronto entre fazendeiros e sem-terra e cumprir os mandados de reintegração de posse pelo diálogo’’.
Segundo Oliveira, é falsa a tese de que os responsáveis pelo incidente em Jundiaí do Sul são de um grupo dissidente do MST. ‘‘As lideranças do movimento vêm com esse tipo de alegação toda vez que ocorre um episódio de violência envolvendo sem-terra’’, comentou o secretário. ‘‘Não somos ingênuos’’, completou. O secretário acredita na punição dos responsáveis pela violência em Jundiaí do Sul.
O secretário pretende manter o ritmo de cumprimento dos mandados de reintegração de posse. ‘‘Dos mais de 30 mandados, cumprimos cinco de forma pacífica na região Noroeste’’, adiantou.

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