'Gosto da correria do hospital'
A rotina da supervisora de enfermagem do pronto-socorro da Santa Casa de Londrina, Pollyana Bortholazzi Gouveia, 24 anos, segue um ritmo acelerado. Diariamente, nos períodos da manhã e tarde, ela visita todos os pacientes do setor, conversa com os técnicos de enfermagem que por turno são cerca de 23, sem contar as equipes de enfermagem, os familiares e os próprios pacientes.
E não para por aí. O telefone celular de Pollyana fica ligado em casos de emergência. ''Tem dias que ele toca o tempo todo, inclusive de madrugada'', diz ela, que não encara isso de forma negativa. ''Muito pelo contrário. Gosto da correria do hospital. É estimulante'', completa.
Mas no meio de tanta movimentação, Pollyana não deixa de citar um lado muito sensível da profissão, que muitas vezes cala a equipe por alguns minutos: lidar com a morte. ''Quanto mais jovem mais difícil é dar essa notícia para os familiares. Eu olho para eles e me coloco no lugar. Não é nada fácil e não tem como acostumar, pois cada situação é um caso'', revela a enfermeira, que nessa hora procura amparar a família conversando e avaliando a necessidade de atendimento de profissionais como psicólogos e assistentes sociais.
E entre tantos atendimentos presenciados por Pollyana nos dois anos em que trabalha na Santa Casa, ela diz que alguns não são esquecidos facilmente, pois reforçam o quanto vale a pena ter seguido a mesma profissão de sua tia, que mora em Sertanópolis (Norte). ''Ela me contava as histórias e eu achava o máximo. Hoje, entendo muito bem o que ela dizia da recompensa da profissão. Quando chega uma pessoa com poucas chances de vida e o progresso dos atendimentos faz com que ela se recupere, ausentando o risco de morte, é uma sensação indescritível'', diz. (M.O.)





