Curitiba - O flanelinha Osmar Pinto conta que costuma receber desde R$ 0,05 até R$ 5. "Não tem preço. Trabalho por gorjeta, mas às vezes ganho roupa também." O ponto rende cerca de R$ 30 por dia. Já a venda dos cartões do Estar é mais lucrativa para Carlos Alberto Cheiski. A renda chega a R$ 50 diários. Além do R$ 1 de lucro em cada venda, ele conta que alguns clientes também dão um "troquinho" pelo serviço.
Já Luciana Neves teve uma surpresa ao receber uma nota de R$ 50 de uma cliente. "Era uma médica que pediu para eu ficar depois do meu horário. Mas aí o procedimento dela demorou mais do que ela esperava e eu perdi meu ônibus. Quando ela me encontrou aqui me deu os 50 reais para ajudar", conta.
José Alves de Paulo, 40, tem seu ponto nas proximidades dos estádios Couto Pereira e Arena da Baixada. Apesar de conviver com "colegas" que costumam cobrar o serviço antecipado, ele conta que essa prática tem seus riscos. "Já vi gente se dando mal. Teve um que cobrou de um promotor e foi pego pela polícia", diz. Mas ele admite que costuma pedir R$ 2 para os clientes. "Mais ou menos o preço do ônibus."
Ex-expedidor, José diz que chega a ganhar R$ 50 por jogo de futebol mas, mesmo conseguindo sustentar a família com o ganho, não pensaria duas vezes em mudar de profissão. "No período que não tem jogos, chego a passar necessidade. Sobrevivo com a ajuda de vizinhos", conta, com lágrimas nos olhos.
Vanderlei Cesar Ribeiro, 51, já enfrentou situações de perigo enquanto olhava carros. "Uma vez enfrentei um pessoal armado. Quando é ladrão, dá para perceber a intenção de longe. Algumas vezes já cheguei no cara e falei: ‘se você tem família para sustentar, eu também tenho’. Chego na boa. Peço para ir para um lugar onde não tem ninguém cuidando. Sempre deu certo", conta. Mas, inevitável é quando, geralmente após um jogo de futebol, "baderneiros" passam vandalizando os veículos estacionados na rua.
O serviço também é arriscado para os flanelinhas que atendem a eventos noturnos. Ribeiro assume que costuma cobrar antecipado, entre R$ 5 e R$ 10, dependendo do evento, para garantir o pagamento. "Cobro antes, em primeiro lugar, porque tem muita gente que sai bêbada e não quer pagar. Além do mais, enquanto o jogo de futebol dura duas horas, um show pode ir até às 5 da manhã", explica.(M.R.M.)

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