Gordura no fígado: sinal de outros problemas
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domingo, 26 de julho de 2009
Daniela Ortega<br>Folhapress 
São Paulo - Grande parte das pessoas com maus hábitos alimentares e que são obesas sofre de um problema silencioso e que pode trazer graves complicações para a saúde, a esteatose hepática. Trata-se de uma alteração metabólica que se caracteriza pelo acúmulo de gordura no interior das células hepáticas (as células do fígado), segundo André Siqueira Matheus, pesquisador da Universidade São Paulo (USP) e cirurgião do serviço de cirurgia de vias biliares e pâncreas do departamento de Gastroenterologia da Universidade de São Paulo.
A professora Maria Rita Souza, 37 anos, descobriu a esteatose há três anos. ''Meu médico disse que eu teria que emagrecer, que meu fígado estava com o dobro do tamanho normal'', conta. ''Eu comia muitas frituras, então comecei cortando esses alimentos. Também reduzi os doces e refrigerantes. Perdi dez quilos em três meses e fiz o exame de novo, que mostrou que o problema tinha regredido. Agora, só me esforço para manter o peso e não comer alimentos muito gordurosos'', diz a professora.
Eduardo Berger, gastroenterologista do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos, ressalta que a esteatose, por si só, não é uma doença, mas é um sinal de qual algo não vai bem no organismo. ''Ela frequentemente representa uma síndrome metabólica. ''É acompanhada por colesterol e triglicérides elevados, além de diabetes ou pré-diabetes.''
Normalmente, acomete adultos, com maior incidência na faixa entre os 40 e os 50 anos, de acordo com Matheus, mas isso não quer dizer que crianças não possam ter o problema. ''Há muitas crianças diabéticas, que podem ter a esteatose'', diz Berger.
Descoberta por meio de ultrassom, a alteração costuma ser detectada por acaso, devido à falta de sintomas. Pode ser percebida até durante um ultrassom ginecológico por exemplo. E, quando é diagnosticada, precisa ser tratada para que não evolua para doenças graves, como a cirrose, dizem os médicos.
Causas e tratamento
Diabetes, alcoolismo, desnutrição e a obesidade pode ser causadores da esteatose hepática. E não é apenas a ingestão de gordura que provoca a alteração, mas também carboidratos e açúcares, que são transformados em gordura para serem acumulados no organismo em forma de energia. Daí a importância da alimentação equilibrada.
O peso, porém, não é fator primordial, já que magros podem ter a doença, e obesos podem desenvolver esteatose em graus muito pequenos, afirma Matheus.
Os especialistas afirmam que o melhor tratamento é sempre a adequação da dieta do paciente, aliada a exercícios físicos. E, em alguns casos, há medicamentos que podem ajudar.


