O ex-autônomo José Carlos Lopes, 60 anos, não recusa uma boa feijoada ou uma pratada de rabada. Com 115 quilos e 1,68 metro de altura, ele conta que já foi advertido pelo médico para maneirar na alimentação, mas confessa que não consegue resistir a essas e outras iguarias igualmente calóricas.
Seu problema agrava-se porque a maior parte da gordura de Lopes se concentra no abdome. Segundo o cardiologista Antônio Augusto Silveira Júnior, homens com mais de 95 centímetros de circunferência abdominal e mulheres com mais de 85 cm são fortes candidatos à chamada "síndrome metabólica", que vem acompanhada de um maior risco de acidente vascular cerebral (AVC) e infarto, aumento de triglicerídios e do nível de glicemia (açúcar) no sangue e redução do nível de HDL, o bom colesterol.
Lopes é portador de diabetes do tipo 2. Ele acredita que adquiriu a doença devido ao excesso de peso. A teoria é confirmada pelo cardiologista, que explica que a gordura abdominal aumenta a resistência à insulina, hormônio que leva a glicose até os músculos, onde ela vira energia. Em pacientes obesos, a glicose continua circulando no sangue, exigindo a produção de mais insulina, o que pode levar ao estresse do pâncreas, que produz essa substância. "Essa é uma diabetes por excesso e não por falta de insulina", afirma Silveira.
Hoje, esse tipo de diabetes é considerado uma epidemia mundial, que tem estreita ligação com a obesidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), hoje são 6,2 milhões de brasileiros com a doença. Estima-se que, em 2025, sejam 12 milhões.
A incidência da síndrome metabólica, segundo Silveira, é diretamente proporcional à idade. Vinte e dois por cento dos homens com mais de 40 anos e 55% daqueles acima dos 60 anos seriam acometidos por esse mal. Isso, porque nessa idade o indivíduo faz menos atividades físicas e, geralmente, tem uma condição financeira mais confortável, que lhe permite consumir mais alimentos calóricos.

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