Gordo e magro dizem como é bom ser Noel
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domingo, 21 de dezembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Paulo Wolfgang75 quilosAdão Maria de Oliveira: Eu estava precisando de trabalho, o que ganho não dá para cobrir as despesas De um lado, Adão Maria de Oliveira, 64 anos, cobrador de ônibus aposentado, morador da vila Iara (zona leste). Peso: 75 quilos. De outro, Carlos Alberto Boselli, 60 anos, representante comercial, morador do jardim Maringá (zona oeste). Peso: 150 quilos, exatamente o dobro de Adão. O que pode parecer uma competição desigual num ringue de boxe, representa na verdade apenas o perfil de dois Papais Noéis de Londrina, cada um lutando em cantos opostos da Cidade.
Mas a diferença entre os dois - pelo menos na balança - simplesmente desaparece com um gesto muito simples: o sorriso de uma criança, encantada quando vê Papai Noel pela frente. Tanto Adão quanto Boselli vestiram este ano pela primeira vez a fantasia do Bom Velhinho e saíram a campo para alegrar as crianças de Londrina. Um foi parar no shopping Catuaí, zona sul da Cidade; o outro no Armazém da Moda, zona oeste.
Adão Oliveira, na verdade, nem pensava em ser Papai Noel. Sem emprego, e com dificuldades em sustentar esposa, filho, nora e neta com apenas um salário mínimo, ele bateu à porta do Armazém da Moda oferecendo um pequeno show que ele apresenta com bonecos eletrônicos.
Paulo Wolfgang150 quilosCarlos Alberto Boselli: Pensei em dar um pouco do meu carinho às crianças; tenho recebido em dobro
Eles estavam precisando de Papai Noel, me ofereceram e aceitei na hora. Eu estava mesmo precisando de trabalho, o que ganho não dá para cobrir as despesas. A estréia de Adão foi no dia 1º de dezembro. Apesar da timidez e do físico pouco típico para o personagem, ele logo se adaptou à nova função. Toda hora tem criança aqui e isso é muito bom. Por dia acho que passam mais de 100 crianças, pedindo brinquedos, conversando.
Para Adão, existe um segredo especial para representar o Papai Noel. Eu só não sei explicar. O que sei é que temos que agradar tanto as crianças quantos os pais. A gente vê que eles levam uma mensagem para casa depois que se encontram com Papai Noel, uma lembrança do Bom Velhinho.
Carlos Alberto Boselli também ficou animado em juntar alguns trocados no Natal vestindo a fantasia de Papai Noel. Por isso se candidatou, entre dezenas de pesos-pesados, numa seleção promovida por uma loja de foto que está trabalhando no Catuaí. A seleção foi grande e rigorosa. Eles queriam o perfil ideal e contaram tudo: se a pessoa tinha vício, a família, se ela gostava ou não de criança. Aí falaram que eu tinha sido o escolhido por preencher todos os requisitos, aponta o Papai Noel do Catuaí.
Sem dúvida o tipo físico e os 150 quilos ajudaram: ele conta que chegaram a pedir que ele tirasse a roupa para saber se tinha enchimento. Boselli lembra também com orgulho da chegada do Papai Noel ao Catuaí, no começo do mês. Para ele, foi uma das maiores emoções já vividas, reunindo cerca de 15 mil pessoas apenas em um dia. Um recorde no shopping, garante. Teve diretor que veio me cumprimentar pelo sucesso.
Assim que assumiu o trono e passou a recepcionar as crianças, o representante comercial teve outra surpresa. Pensei em dar um pouco do meu carinho às crianças. Mas eu tenho recebido em dobro. Chega a ser comovente. Independente do fator financeiro, se depender de mim nos outros anos voltarei a ser Papai Noel. Convites para isso já não faltam: ele adianta que até lojas de São Paulo já ofereceram serviço para que ele vá vestir a roupa do Bom Velhinho em 1998.


