Golpistas usam nomes de entidades para pedir doação
Dimitri do Valle
De Curitiba
A população deve estar atenta nesta época do ano ao ser abordada pelos chamados representantes de entidades filantrópicas que se dizem credenciados a angariar doações nas ruas. Conforme a Folha alertou na edição de ontem, instituições de caridade idôneas estão à mercê de golpistas que se fazem passar por arrecadadores de dinheiro e donativos. A Liga Paranaense de Combate ao Câncer é uma das entidades que mais sofrem com este tipo de exploração.
A todo momento a gente tem problemas. É impressionante, conta Silvana Fcachenco, chefe do Departamento de Marketing da Liga. Em média, a entidade recebe cerca de 30 denúncias por ano. Com relação a Liga, a prática de coletar donativos segue padrões, como a venda de cartões de natal autenticados e campanhas de arrecadação em repartições públicas previamente avisadas do mutirão. Caso a dúvida persista, Silvana orienta que as pessoas telefonem para a Liga (0xx41) 361-5080 antes de efetuar qualquer doação.
Já a micro-empresária Derotilde Vieira Ribeiro, 49 anos, sempre prestou ajuda para entidades filantrópicas. São doações pessoais, com a entrega de recibo da entidade beneficiada. No entanto, sua primeira experiência involuntária com a caridade telefônica não foi das melhores. A partir de julho deste ano ela percebeu em sua conta telefônica a cobrança de uma taxa de R$ 7,00. O dinheiro seria revertido para uma entidade que atende crianças com problemas renais. Ela garantiu não se lembrar de ter autorizado a Telepar ou qualquer entidade a promover o débito, que seria num prazo de 12 meses.
Não concordo com o débito em conta telefônica porque você pode pagar por uma coisa que nem sabe de onde vem, reclamou Derotilde. A micro-empresária entrou em contato com a Telepar e pediu o cancelamento do débito. No mês seguinte houve novo desconto e numa segunda ligação para a empresa telefônica, foi orientada a ligar para a entidade. Para reaver o dinheiro, a Telepar disse que teria que ir até uma agência para pegar uma nova fatura, o que se negou a fazer.
Derotilde ligou para a entidade e recebeu como resposta a alegação de que uma antiga funcionária havia errado no credenciamento e que o desconto seria suspenso. A companhia telefônica foi novamente acionada e fez a reposição do dinheiro. No mês seguinte, veio outro desconto de R$ 7,00 que Derotilde não entendeu como pôde aparecer após todos os pedidos de cancelamentos que fez. A assessoria de imprensa da Telepar informou que as contribuições anteriores ao mês de agosto serão devolvidas à Derotilde pela entidade, a Pró-Renal. Entre os meses de agosto e novembro, a Telepar comunicou que a reposição já ocorreu pela fatura telefônica e que a partir da próxima fatura, os valores deixarão de ser lançados.





