Sem se incomodar com o final trágico de uma de suas vítimas, que faleceu na semana passada, o golpista que vem amedrontando idosos de Londrina e região continua agindo. Na última quinta-feira, a aposentada Elza Evangelista do Nascimento, 78 anos, moradora da Região Central, foi assaltada após ter tomado um medicamento que a fez dormir por 17 horas. No mesmo dia, um casal idosos teria sido abordado mas não caiu no golpe.
A filha da aposentada, Estefânia Regina Chungara, contou que um rapaz em uma moto vermelha teria ido até a casa dela, na Vila Nova, na quarta-feira e dito que estaria interessado em comprar o imóvel. Depois de algum tempo, ele teria perguntado para a idosa se ela gostaria de receber remédios de graça porque ele sabia como conseguí-los. ''Na quinta-feira, ele voltou de manhã e ofereceu um remédio em gotas e ela nem se lembra se tomou ou não. Ela dormiu desde as nove horas até as duas horas da manhã de sexta'', apontou Estefânia. Elza permaneceu mais dois dias sonolenta e não se recorda de quase nada.
O golpista colocou a aposentada deitada no sofá e a cobriu com coberto. Depois, revirou gavetas e móveis e fugiu levando um aparelho de DVD, um telefone sem fio e uma máquina fotográfica. ''Ela me contou que ele tinha vindo e eu falei para ela não tomar nada nem deixar ele entrar. Mas, minha mãe disse que ele era um rapaz bom, educado'', comentou Estefânia, que decidiu contar a história como um alerta para outras pessoas. ''Ela poderia ter morrido. A sorte foi que ela tem uma saúde boa, apesar da idade'', concluiu a filha.
O delegado de Cambé, Valdir Abraão, que está na captura do golpista, informou que além de Elza, um casal residente na Vila Casoni (Área Central de Londrina) também foi abordado pelo golpista mas não chegou a ingerir o medicamento oferecido. Medicamento este que provocou a morte do aposentado Humberto Emílio Vechi, 89 anos, na terça-feira passada, em Cambé. Além destes casos, segundo o delegado, o golpista também agiu contra um idoso morador da Zona Oeste. Abraão não descarta que outras pessoas também tenham sido atacadas mas não procuraram a polícia.
As vítimas que registraram queixa deram a mesma descrição do golpista: tem aproximadamente 40 anos, gordo, baixo e de pele clara. Usa uma moto Twister vermelha e costuma se identificar como enfermeiro ou funcionário de posto de saúde. Ele dopa as pessoas com um remédio em gotas, bastante amargo. Resíduos da substância estão sendo analisados em Curitiba. ''O local para as pessoas se medicaram é no hospital ou na unidade de saúde. As pessoas não devem permitir a entrada de estranhos em casa, mesmo que se identifique, e se suspeitar de alguma coisa, deve chamar a polícia imediatamente'', orientou o delegado.

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