Golpe do seguro faz vítimas no Paraná
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de julho de 2004
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba Descobrir que tem um dinheiro inesperado para receber é o sonho de todo mundo. Ainda mais se a quantia prometida for suficiente para comprar um carro ou até dar entrada no financiamento de uma casa. Mas cuidado se você receber um telefonema avisando sobre um seguro antigo, esquecido há anos, que para resgatar é preciso ''apenas'' fazer um depósito bancário. Trata-se de um novo golpe para tentar tirar dinheiro dos mais distraídos.
Sorte que a professora A.O.O., 43 anos, de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), desconfiou do telefonema suspeito recebido na semana passada e não caiu no golpe. A.O.O conta que a pessoa se identificou como coronel Godoi e informou que, em 1989, ela teria começado a pagar um tipo de previdência com nome de ''montepio'', mas que ficaram faltando seis prestações. Agora, a professora teria direito a resgatar uma quantia de R$ 43,6 mil desde que fizesse um depósito de R$ 1.330. Os golpistas dão pouco prazo para a vítima. ''Eles disseram que eu deveria fazer o depósito em um prazo de duas horas, caso contrário perderia o pagamento'', contou.
A professora soube logo que se tratava de um algum tipo de trapaça. ''Em 1989 eu era estudante, não trabalhava. Não tinha como ter pago qualquer coisa do tipo'', comentou. ''Mas eu fui dando corda para ver onde eles chegariam.'' O suposto coronel Godoi deu um número de uma conta bancária, de um protocolo e de um processo de liberação, além de um número de telefone celular do Rio de Janeiro. O estranho é que o número tinha dez dígitos, enquanto os telefones do Rio têm oito dígitos. ''A história é convincente. Se for uma pessoa inocente, cai sem pensar. O valor que me pediram é mais do que eu ganho em um mês para eles quererem me levar em apenas vinte minutos.''
A delegada-adjunta da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, de Curitiba, Vanessa Alice, conta que esse tipo de golpe tornou-se bastante comum e a polícia tem recebido muitas reclamações. A quadrilha, segundo ela, age no Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A polícia já descobriu a participação de cinco homens, detidos por outro tipo de golpe. Quinze pessoas já estão indiciadas e a delegada pediu a prisão de três estelionatários.
Segundo Vanessa, a quadrilha possui listas de pessoas ou parentes de pessoas que contribuíram, anos atrás, para empresas falidas de seguro. Daí a facilidade de localizar telefones e endereços de possíveis vítimas.
A delegada aconselha as pessoas a ficarem atentas quando receberem um telefonema, como o recebido pela professora A.O.O. ''Elas não devem fazer o depósito e nem passar informações por telefone'', ensinou.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) informa que já denunciou ao Ministério Público e à Polícia Federal a existência de golpistas que estão usando o nome de entidades e empresas do setor de seguros para extorquir participantes de antigos planos de previdência e seguros.


