O procurador da República em Cascavel, Celso Antonio Três, denunciou à Justiça Federal o golpe ‘‘3 por 1’’ que estava sendo aplicado na cidade, segundo ele, com participação de policiais civis. O golpe, já praticado em outras regiões, consiste na oferta de dinheiro falso ou inexistente a pessoas que querem levar vantagem e em troca entregam cédulas verdadeiras, em montante três vezes inferior. Os policiais são os agentes Gilberto Ardanaz, 39 anos, e Paulo Cézar Vieira, 32, que negam a acusação.
O procurador obteve depoimentos de vítimas pertencentes a famílias tradicionais e detentoras de patrimônio considerável. As vítimas não serão identificadas publicamente por precaução, nesta etapa das investigações. O golpe era praticado em hotéis e restaurantes para onde as vítimas eram atraídas. Pessoas que se faziam passar por interessadas no dinheiro, mas eram ligadas ao golpista principal, ajudavam a estimular a vítima.
A origem do dinheiro a ser entregue, em valor três vezes superior, era apontada pela quadrilha como sendo a Casa da Moeda, de Brasília, onde ela teria ramificações e teria obtido grande volume de cédulas produzidas em duplicata, mas sem nenhum sinal de falsificação. A circulação, porém, não poderia ser promovida por poucas pessoas para não chamar atenção, por isso a quadrilha dizia que precisava ‘‘lavar’’ o dinheiro da Casa da Moeda, ou seja, passá-lo para várias mãos, em troca submetendo-se ao recebimento de valor três vezes inferior.
Em apenas dois depoimentos que o procurador obteve, de vítimas do golpe, foram trocados R$ 40 mil por notas falsificadas. Segundo Celso Antônio Três, da quadrilha fazem parte Nilson Falcão, homicida que cumpre pena em regime aberto, seu irmão Nilton Falcão, aprovado em concurso para investigador da Polícia Civil, e os também irmãos César e Silvio Mazuco, além dos policiais Gilberto Ardanaz e Paulo César Vieira - já acusados pelo procurador por extorsão contra compristas, processo ainda em andamento.
Gilberto foi envolvido a partir da localização de um contrato, do qual foi avalista, de locação de uma casa onde se hospedavam membros da quadrilha. O contrato havia sido firmado por uma mulher que convivia com Nilson Falcão, cuja identidade e domicílio estão sendo preservados pelo procurador. Quando ameaçou denunciar o golpista, a mulher foi espancada por ele e recebeu ameaça de afogamento em um vaso sanitário. Uma outra mulher, também não identificada, denunciou César e Silvio Mazuco.
O caso já havia sido motivo de um inquérito na Polícia Civil, sobre distribuição de moeda falsa na praça, que não teria sido tipificada, segundo concluiu a investigação. O procurador Celso Antônio Três relata que, além do contrato avalizado por Gilberto Ardanaz, ele e Paulo Cézar Vieira faziam ‘‘discreta vigilância’’ nos locais onde estava sendo praticado o golpe. Em outros casos, abordavam as vítimas dizendo que dariam um flagrante em todos os presentes, e que elas tinham a opção de abandonar o local e deixar o dinheiro
Para dar mais autenticidade ao golpe, o dinheiro ‘‘da Casa da Moeda’’ era colocado pelos golpistas em envelopes do Congresso Nacional. O procurador Celso Antônio Três relatou à Justiça Federal a existência dos delitos de formação de quadrilha, estelionato, moeda falsa, corrupção passiva, ameaça e lesão corporal, para que sejam apurados pela Polícia Federal. Pediu também a localização de Nilson Falcão e de outros envolvidos, para interrogatório e a extinção do regime de prisão aberta que beneficiou Nilson. E ainda o depoimento de outras vítimas do golpe, que ele próprio ainda não ouviu, mas já identificou.

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