A Polícia Militar vai apurar a ação de um golpista que vendeu placas de vigilância monitorada, inclusive com o uso indevido do emblema da corporação, para moradores da zona leste de Londrina. O suspeito, de acordo com a PM, se apresenta como ex-PM e cobra entre R$ 40 e R$ 50 pela colocação da placas do projeto, que seria uma versão do "Vizinho Solidário". Ele também distribuía uma listagem com supostos contatos dos vizinhos.
Para a dona de casa Joana Kaneko, de 65 anos, que mora na Rua Santa Luzia, no Jardim Ideal, o autor do golpe informou que o valor de R$ 40 era para pagar os gastos com materiais. "Achei que era o Vizinho Solidário", disse Joana. Ela não lembra o nome do homem, apenas que ele disse ser ex-policial militar.
A dona de casa já paga um serviço de segurança particular, que monitora o bairro durante a noite. Apesar do serviço privado, Joana não se sente segura. "Não dá para confiar muito, não. Aqui só podemos contar com os vizinhos mesmo. Eu olho a casa da vizinha, ela olha a minha", disse.
A vizinha é dona de casa Rosa Croca, de 47 anos, que também colocou a placa, mas sabe pouca coisa sobre como funcionaria o suposto monitoramento. Na Rua Granito, também no Jardim Ideal, as placas de residências monitoradas começam a proliferar. A dona de casa Marta Yairo, de 65 anos, também lembra pouca coisa sobre a conversa com o homem. Ele cobrou R$ 30 pela placa instalada há cerca de um mês. "Ele não deixou telefone, não deu recebido e nem explicou muita coisa", disse.
A Polícia Militar informou que não tinha conhecimento da instalação das placas com o emblema da corporação. "Estão usando o emblema da PM de forma inadequada", adiantou o capitão Marcos Tordoro, oficial de planejamento do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e comandante da 3ª Companhia da PM.
O serviço de inteligência da PM vai investigar a comercialização das placas. O responsável, caso seja policial da ativa ou da reserva, poderá sofrer sanções disciplinares e penais. Se for um civil, poderá responder criminalmente. "Vamos avaliar o caso e se for necessário fazer um boletim de ocorrência e encaminhar para a Polícia Civil instaurar um inquérito", explicou.
A orientação da PM aos moradores é para que relatem a situação à corregedoria da corporação. Tordoro enfatizou que a PM não faz esse tipo de ação e que qualquer tipo de segurança particular precisa ser feito por empresas formalizadas.

PROJETO
O único trabalho do tipo realizado pela PM com a comunidade atualmente é o desenvolvido no Jardim Colúmbia, na zona oeste, primeiro bairro a receber o projeto "Bolo de Fubá", da 3ª Companhia. É uma espécie de Vizinho Solidário, mas virtual. Os moradores criaram grupos no aplicativo WhatsApp e incluíram os contatos do comandante Marcos Tordoro e de policiais que fazem o patrulhamento da região. Dessa forma, os moradores trocam informações sobre pessoas e atitudes suspeitas no bairro e podem tirar dúvidas sobre segurança pública. "O canal de denúncias e solicitações de atendimento continua sendo o telefone 190, mas é uma forma da PM estar mais próxima do cidadão. A polícia trabalha com dois pilares: diminuição dos índices de criminalidade e proporcionar sensação de segurança à comunidade", comentou o comandante.
O nome sugestivo do projeto é para sensibilizar os PMs a estarem mais abertos ao diálogo com a comunidade. "Os policiais demoram para responder quando perguntamos se eles entrariam na casa de cidadão que o convidasse para tomar um café e comer um pedaço de bolo de fubá, se eles considerariam isso perda de tempo. E queremos mudar isso. Queremos que eles percebam que não é perda de tempo e que é preciso ouvir as pessoas", salientou Tordoro. A intenção da PM é levar o projeto para outros bairros da cidade. A corporação não revela as regiões, mas informa que já mapeou os próximos alvos.

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