O procurador da República em Cascavel, Celso Antonio Três, disse ontem que pode haver relação entre o assassinato do engenheiro e empresário Luiz Antonio Cancelli, 31 anos, e o golpe conhecido como 3x1, a oferta de dinheiro falso ou mesmo inexistente em troca de cédulas verdadeiras em montante três vezes menor. Cancelli, que supostamente seria vítima do golpe, foi morto a tiros no dia 17 de setembro, em caso de grande repercussão na cidade, onde sua família é muito conhecida. Segundo o procurador, se comprovada a vinculação com o golpe, ele pode ter sido executado (há um depoimento indicando isso) como ‘‘queima de arquivo’’.
A Polícia Federal (PF) está investigando o caso a pedido da Procuradoria da República, como consequência de investigações iniciadas em julho, especificamente sobre o golpe ‘‘3x1’’ envolvendo policiais civis de Cascavel. Segundo o procurador, Luiz Antonio Cancelli teria entregue R$ 100 mil à pessoas que lhe ofereceram valor três vezes superior que deveria ter sido entregue posteriormente, o que não ocorreu.
Pouco antes de ser morto, Cancelli havia sido procurado por agentes federais ao ser intimado para depor mas não foi encontrado. Uma companheira de Cancelli revelou que ele tinha sido vítima do golpe praticado por uma quadrilha com ramificação em Maringá. A mesma mulher contou que, na semana anterior à sua morte, ele demonstrava estar muito nervoso. A Polícia Civil acabou prendendo o menor E.S., de 17 anos, apontado como o assassino. O menor teria sido abordado por Cancelli na rua e convidado para manter relações sexuais, mas houve desentendimento. E.S. usou a arma do próprio engenheiro para matá-lo.
E.S. foi posto em liberdade na semana passada, depois de ter declarado em juízo que foi coagido pela Polícia a assumir a autoria do crime, e ter revelado que o assassino estava montado em um cavalo e com ele havia outras pessoas em um automóvel. O procurador Celso Três cita aspectos que considera relevantes na história: Luiz Antonio Cancelli ‘‘nunca teve fama de ser homossexual’’; demonstrava nervosismo nos dias anteriores à sua morte - hipoteticamente, poderia estar sendo ameaçado pelos golpistas caso os denunciasse à PF (não é comum a formalização de denúncia neste tipo de caso); e, ainda, o fato dos golpistas serem originários de Maringá.
Na investigação que pediu a PF em julho, o procurador da República havia obtido cópia do contrato de aluguel de uma casa em Cascavel, assinado por uma mulher (com identidade preservada) oriunda de Maringá. Ela resolveu colaborar com as investigações após ter sido espancada pelo companheiro, também de Maringá, e diretamente acusado como golpista. O avalista do contrato de aluguel foi o policial civil Gilberto Ardanaz, 39 anos, que, juntamente com o também policial Paulo Cézar Vieira, 32 anos, foram apontados pelo procurador como participantes ativos no golpe. Os dois negaram a denúncia e acusaram o procurador de persegui-los.
Celso Antônio Três explicou que Gilberto Ardanaz foi promovido a chefe da Seção de Furtos e Roubos, apesar de estar sendo investigado pela PF, e ‘‘conduziu as investigações sobre a morte de Cancelli’’. O procurador no entanto evita levantar qualquer suspeita sobre a participação direta ou indireta de policiais no que seria a execução de Luiz Antonio Cancelli. Segundo Celso Antonio Três, a PF deve ouvir todas as pessoas que já depuseram no inquérito sobre a morte.

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