Golfe vence barreiras sociais
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Cambé - Considerado um esporte elitista, o golfe tem despertado paixão entre adolescentes de bairros carentes de Cambé. Cerca de 300 jovens já entraram em contato com a prática esportiva através do projeto Golfe na Escola, desenvolvido desde 2005 pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) da cidade em parceria o Londrina Golf Club. Alguns participantes sonham em se tornar atletas profissionais e outros já começaram a ganhar dinheiro com a atividade.
''Oferecemos 50 vagas por ano para alunos matriculados em escolas públicas, com idade entre 10 e 16 anos. Após uma triagem os adolescentes passam a ter aulas de golfe uma vez por semana. Em duas horas e meia de atividades semanais, eles aprendem as regras do jogo e a parte prática também. Em média cada aluno demora cerca de dois meses para aprender o básico do esporte'', explica a coordenadora do projeto, Josiane Botti.
Ela destaca que, entre outros benefícios, o golfe trabalha diretamente a concentração, coordenação motora e a disciplina. ''Em poucas aulas já é possível perceber a mudança de postura dos alunos. Logo nos primeiros contatos com o golfe a grande maioria acaba se apaixonando pelo esporte. Outro ponto positivo é que os alunos acabam se esforçando mais na escola, já que o bom desempenho na sala de aula é um pré-requisito para continuar jogando'', diz Josiane.
Na avalição dela, o golfe ainda é considerado elitista devido ao alto custo dos equipamentos. ''Um kit com tacos e bolinhas custa entre R$ 400 e R$ 800, por isso muita gente não consegue ter acesso ao golfe. Além disso, é um esporte que não dá para ser praticado em qualquer local, pois exige um campo profissional específico para essa modalidade'', ressalta Josiane.
Entretanto, essas barreiras não diminuem o entusiasmo dos novos praticantes da modalidade em Cambé. ''Eu sempre gostei de futebol e basquete porque não conhecia o golfe. Agora meu sonho é me tornar um atleta profissional, pois estou adorando esse esporte'', afirmou Gabriel Fernando Martins, 13 anos, estudante da 8 série, que integra o programa há dois meses.
''Nunca imaginei que um dia eu iria jogar golfe. Achei que fosse fácil, mas descobri que é necessário ter muita técnica para jogar bem. Ainda estou aprendendo as regras, mas não pretendo parar de jogar nunca mais, pois é muito divertido. Estou até mais obediente em casa, pois minha mãe disse que se eu não me comportar ela vai me tirar das aulas de golfe e eu não quero que isso aconteça'', destacou Patrick Lopes, 13 anos, que começou a participar do projeto este ano.
''Comecei a jogar há quatro anos, desde o início do projeto e nunca mais parei. Meu sonho é me tornar um atleta profissional. Enquanto isso não acontece eu vou ajudando os novos alunos a aprenderem as técnicas'', afirmou Lucas Gabriel Costa, 17 anos, estudante da 7 série.


