Goioerê - Lideranças de Goioerê (67 km a oeste de Campo Mourão) estão iniciando uma mobilização para tentar evitar que o município fique sem poder acompanhar a Copa do Mundo pela televisão. Será a primeira vez que isso acontecerá desde a Copa da Inglaterra, em 1966. O assunto vem sendo debatido pela Câmara de Vereadores e pela Associação Comercial (Acig) e já estão previstos protestos a partir da semana que vem.
O problema ocorre porque há dois anos a retransmissão das imagens da Rede Globo, detentora dos direitos da Copa, passou da TV Cultura, de Maringá, para a TV Imagem, de Paranavaí, que ainda não tem uma torre repetidora da cidade. Apenas os moradores das regiões mais altas de Goioerê sintonizam a Globo em UHF. Quem tem antena parabólica não poderá ver os jogos porque o sinal será codificado.
Uma comissão formada por liderenças políticas e empresariais de Goioerê esteve anteontem em Paranavaí para debater o problema, mas não trouxe nenhuma solução. ‘‘Voltamos desanimados’’, disse o secretário de Finanças de Goioerê, João Ferracioli. O gerente geral da TV Imagem, Ney Emílio Braga Alves, anunciou que a nova torre de Goioerê só deve ficar pronta em agosto, um mês depois do fim da Copa.
A direção da emissora informou que existe a possibilidade de se improvisar os equipamentos de retransmissão em um contêiner, mas é pouco provável que isso aconteça. ‘‘Acho que está muito complicado’’, frisou o presidente da Câmara de Vereadores, Ademir Flor da Silva (PMDB), que acompanhou a visita à TV Imagem. Na semana que vem o comércio local vai protestar enviando fax e e-mails à Rede Globo.
O presidente da comissão de mobilização, vereador Walter Fernandes Martins (sem partido), calcula que apenas 10% dos moradores de Goioerê estejam captando atualmente o sinal da retransmissora de Paranavaí. ‘‘Houve um pouco de relaxo da emissora. Eles tinham tempo para evitar isso’’, prostestou. Em fevereiro deste ano ele já tinha apresentado um requerimento cobrando a retransmissão de uma emissora regional da Rede Globo.
‘‘Não quero nem pensar na possibilidade de ficarmos sem ver a Copa do Mundo. Será uma tragédia’’, ressaltou o presidente da Acig, Luiz Roberto Costa. ‘‘Em 1970 assisti à Copa numa televisão instalada na praça, não é possível que 32 anos depois não possa ver nada’’, completou. O servidor municipal Luiz Silvestre lembra da última Copa que não viu pela televisão. ‘‘Foi em 1966. A gente via os gols uns dias depois no cinema’’, contou.

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