GOIOERÊ - A Prefeitura de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão) demoliu esta semana a Creche Hélio Farias de Souza, de 120 metros quadrados, que estava sendo construída num bairro da cidade. A obra foi considerada concluída pela administração anterior, que chegou a colocar uma placa de bronze marcando a inauguração. Apenas a fachada estava pronta. Nos fundos, os vidros nunca foram colocados e o interior não possuía piso e nem reboco.
‘‘Isso é uma barbaridade’’, comentou o prefeito Vicente Okamoto (PSDB) ao ser informado que a creche só tinha a fachada. O estado da obra surpreendeu a administração, uma vez que visto pela rua, o estabelecimento parecia concluído. Laudo técnico, no entanto, apontou que restam fazer 50% da obra. Não existiam, por exemplo, instalações elétricas e hidráulicas e foram encontradas falhas na estrutura que comprometiam a construção.
Com o laudo técnico nas mãos, Okamoto se reuniu com os moradores do Jardim Primavera, que seriam beneficiados com a creche, para discutir o que fazer com a obra. Os próprios moradores aprovaram a demolição. No lugar da ‘‘creche de fachada’’, a Prefeitura promete construir uma nova creche, com 379 metros quadrados e capacidade para atender os moradores de outros dois bairros (o Conjunto Mutirão 3 e o Jardim Galiléia). A construção será feita em parceria com o Estado.
Andarilho A Prefeitura também demoliu o prédio que servia de alojamento aos andarilhos que passavam por Goioerê. A ‘‘Casa do Andarilho’’ chegou a ser orgulho do ex-prefeito José Paulo Novaes (PDT), que aproveitava as pessoas abrigadas no local em frentes de trabalho da Prefeitura. O imóvel, no entanto, estava em péssimas condições e sequer tinha banheiro funcionando. A nova administração também não concorda com a colocação deste pessoal em frentes de trabalho.
Segundo o diretor do Departamento de Bem-Estar Social, padre Pedro Speri, a casa não oferecia condições de salubridade e os andarilhos reunidos provocaram brigas e confusões no local. As reclamações dos moradores vizinhos eram constantes. Speri disse que a Prefeitura vai desenvolver um novo programa para atender os andarilhos, mas sem que haja algum vínculo entre eles e a administração municipal. Quinze homens estavam morando no local. Com a demolição, todos deixaram a cidade.

mockup