A Prefeitura de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão) pode demitir os cerca de 100 funcionários que estão em greve há mais de um mês. A ameaça foi feita através de um edital de convocação publicado no final de semana pelo órgão oficial da prefeitura. O edital dá prazo de 72 horas para que os servidores voltem ao trabalho e diz que o não-retorno vai caracterizar abandono de emprego e permitir o início do processo de exonerações. O prazo venceu ontem.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Paulo Mendes, admitiu ontem à Folha, por telefone, que a ameaça fez com que parte dos grevistas retornasse ao trabalho. ‘‘Estamos tentando conscientizá-los de que não é preciso ter medo’’, frisa. O edital da prefeitura relacionou 117 funcionários que estariam sem trabalhar. Entre eles estariam 60 professores e até um vereador, Ademir Flor da Silva (PMDB), que é escriturário da prefeitura.
Segundo a Assessoria Jurídica da prefeitura, a greve dos servidores é ilegal porque começou sem que fossem cumprida uma série de procedimentos legais. Um deles seria a falta de comunição oficial à prefeitura e à população com 72 horas de antecedência. Outro seria a falta de convocação dos servidores para uma assembléia marcada especificamente para discutir a paralisação. O sindicato também não teria feito uma pauta de reivindicações.
EmpréstimoApesar de considerar a greve ilegal, a prefeitura pagou na semana passada os salários de setembro para todos os servidores. Os funcionários, no entanto, continuam sem receber as folhas de julho e agosto. Hoje vence o pagamento de outubro. Além disso, existem outros quatro salários deixados em atraso pela administração anterior. O funcionalismo ainda não recebeu outubro, novembro, dezembro e o 13º salário do ano passado.
Mendes diz que o ato da prefeitura não tem validade e que eventuais irregularidades no movimento grevista podem ser facilmente regularizadas. Para conter despesas, a prefeitura só vem atendendo pela manhã. O prefeito Vicente Okamato (PSDB) tenta, sem sucesso, um empréstimo para quitar as folhas em atraso. Ele esbarra na falta de capacidade de endividamento do município. Na Câmara, a crise virou pedido de uma CPI, que acabou rejeitada por 6 votos a 4.

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