Godoy pilotava ultraleves há mais de 20 anos
O piloto Flávio Tadeu Souza Godoy, 49 anos, era ultralevista há cerca de 20 anos e tinha mais de 5 mil horas de vôo, incluindo experiência em aviões monomotores. Agricultor em Patos de Minas (MG), Godoy tinha três filhos e transferiu-se para Londrina há poucos meses. Segundo Flávio Godoy Filho, 26 anos, o pai foi proprietário de três ultraleves e nunca sofreu acidente aéreo grave. Quando mudou-se para Londrina, ele guardou o aparelho em um hangar do Clube de Aviação Experimental do Paraná, em Ibiporã.
Por telefone, Godoy Filho informou que o pai teria solicitado ao mecânico do clube uma revisão no ultraleve, mas não pôde afirmar se o serviço foi feito. No dia 8 de agosto, à tarde, ele foi buscar o aparelho. Meu pai pilotava bem e amava a aviação. Não posso supor o que pode ter acontecido.
A bancária Wally Von Raupp, 25 anos, era irmã de Willy Von Raupp, morto no mesmo acidente. Namorada de Godoy há dois meses, Wally conta que foi convidada por ele a voar naquela tarde. Como não aceitou, Godoy convidou Von Raupp, que não sabia pilotar, para ir até ao clube, em Ibiporã. Fiquei sabendo que sócios do clube recomendaram ao Flávio que não voasse, porque estava escurecendo, comentou.
Wally disse que Godoy estava feliz por ter conseguido arrendar uma propriedade. Ela acha que o namorado queria fazer um vôo de comemoração. Ele estava eufórico. Segundo Wally, Godoy tinha intenção de comprar um posto de gasolina para os filhos, em Londrina.
Sobre o acidente, Wally fala que não entende a razão. Fui ao local e vi que o ultraleve caiu de bico. Aquele lugar é um vale e está perto do aeroporto. Acho que o Flávio pode ter tido excesso de confiança. Ele sempre me dizia que tinha total controle da situação. Foi uma tragédia, mas a perícia vai esclarecer, garantiu.
Para Wally, que tem mais dois irmãos, a dor da perda de Willy é imensa, mas a família está se conformando. No início meu pai ficou meio revoltado com o Flávio, mas agora já está superando, disse. Particularmente, sofro demais. Nunca pensei que fosse enterrar duas pessoas queridas em um intervalo de dois dias, lamentou Wally. Ela diz que se arrepende por não ter acompanhado Flávio no dia do acidente. Quem sabe eu poderia tê-lo convencido a desistir do vôo, indaga. (M.B.)





