GNB desiste de fábrica em São Luiz
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A empresa GNB anunciou ontem que suspendeu os investimentos no distrito de São Luiz, Zona Sul de Londrina, onde recebeu um terreno por doação da administração pública para instalação de uma recicladora de baterias automotivas. A empresa informa que a suspensão se deve aos ''últimos acontecimentos.'' A implantação é polêmica, uma vez que moradores estão pressionando o poder público com o intuito de barrar a instalação.
O agricultor Eduardo Gomes de Araújo, morador da localidade, disse que a notícia é boa, mas que a comunidade só ficaria tranquila com a revogação da doação do terreno. Um projeto de lei com esse objetivo, de autoria do vereador Marcelo Belinati (PP), seria votado na sessão de ontem da Câmara Municipal.
Para Belinati, o ideal é que a prefeitura entre em acordo com a empresa para doar outro terreno, só que em uma área industrial, ''onde o dano é muito menor.''
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), Mauro Viécili, disse que a decisão da empresa pode resultar na perda de empregos na região. ''Vamos gestionar junto à empresa é à comunidade para viabilizar a retomadas do investimento'', declarou.
Para ambientalistas, a reciclagem de baterias implica em riscos ao meio ambiente. ''O Paraná está na rota do chumbo. É um destino extremaente atrativo em termos de mão-de-obra, legislação ambiental fraca. Então aqui é o palco adequado para esse tipo de empresa. O Paraná tem aceito as recicladoras e está se transformando num depósito de chumbo'', diz o geógrafo Exerton de Oliveira Pires, especialista em estudos de impacto ambiental. Ele foi responsável pela análise que recomendou a não-instalação de uma recicladora de baterias na Serra do Cadeado.
De acordo com Pires, o impacto ambiental está relacionado com o tipo de tecnologia empregado e a localização do empreendimento. Existem três tipos de processos de aproveitamento de baterias automotivas usadas: pirometalúrgico, eletrohidrometalúrgico e fusão alcalina.
O sistema que representa mais risco ao meio ambiente é o pirometalúrgico, que utiliza a refundição do chumbo para nova feitura de lingotes e o reaproveitamento do material, assim como o plástico e o ácido. A atividade produz óxido de chumbo e escória poluentes.
Os outros dois modos de produção consistem no uso de processos químicos que reduzem os riscos de poluição, mas encarecem o processo de produção. Por outro lado, o risco de uma montadora de baterias novas é menor e restringe-se apenas à possibilidade de acidente ambiental.
O geógrafo ressalta que não é contra a reciclagem de baterias, desde que os sistemas mais seguros sejam utilizados.
A solução para impedir riscos ao meio ambiente, segundo ele, seria a realização de Eia-Rima (Estudo de Impacto Ambiental - Relatório de Impacto ao Meio Ambiente). Outra ação do poder público sugerida pelo especialista é a criação de uma diretriz nacional para estabelecer parâmetros para balizar a reciclagem de bateria.
De acordo com Pires, outros Estados, como São Paulo, não têm permitido a instalação de novas recicladoras. Por outro lado, o Paraná tem demanda de 50 toneladas de chumbo por dia, quantidade produzida por apenas uma das 27 recicladoras licenciadas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
A consequência foi a ocorrência de problemas sérios em diversas cidades, como Assaí, Cornélio Procópio e Leópolis, além de Adrianópolis, onde era feita a extração do mineral. ''Não estamos dizendo que não é para reciclar bateria. Só não podemos trocar um problema por outro. É melhor que a bateria seja reciclada do que descartada na natureza'', diz.


