"Minha avó morreu de overdose." "Meu avô morreu de câncer por causa do cigarro." As frases ditas por alunos do 5º ano do Ensino Fundamental revelaram que o assunto da palestra já não era novidade. No entanto, as 26 crianças com idades entre 9 e 11 anos acompanharam com atenção as orientações e explicações sobre os males causados pelo consumo de drogas. O objetivo da Guarda Municipal Escolar Comunitária (GMEC) é reforçar o trabalho de prevenção em sala de aula e aproximar a corporação dos pais e alunos.
A composição e os efeitos do álcool, cigarro e de medicamentos em geral consumidos sem orientação médica, além da maconha, cocaína, crack e drogas sintéticas foram abordados durante a palestra realizada em uma escola da zona leste de Londrina. Imagens de órgãos do corpo humano prejudicados pelo consumo frequente das drogas chocaram os alunos. Um vídeo exemplificou os medos e desafios dos usuários que se arrependeram do vício, mas não conseguem deixá-lo. As crianças perguntaram sobre o tema, comentaram sobre os sintomas causados pelas drogas e citaram casos de pessoas próximas.
"Nós já trabalhamos a prevenção às drogas dentro da sala de aula porque é uma região com muitos traficantes, mas esse reforço é sempre bem-vindo. Já encontrei alunos com trouxinha de maconha dentro da bolsa e entramos em contato com a Guarda Municipal", relatou a professora. Segundo ela, são comuns casos de violência doméstica gerados pelo consumo excessivo de álcool. "As agressões, muitas vezes, são presenciadas pelas crianças. É uma triste realidade", lamentou.
Os alunos gostaram da palestra e alguns deles conversaram com a reportagem antes de retornar à sala de aula. "Em casa, minha mãe conversa muito comigo. Eu sei que isso é errado e sei de pessoas que morreram por causa disso. Já me afastei de colegas que usavam e procuro me manter, como se diz, na linha", contou a menina de 11 anos.
"Meu tio é segurança e já ofereceram para ele, mas ele não pegou e chamou a polícia. Eu tinha um amigo de 16 anos que mexia com maconha e crack, mas parei de andar com ele", comentou outro estudante de 11 anos. O terceiro, mais tímido, disse apenas que já conhecia o assunto, mas depois explicou o motivo. "É que... É que meu pai é traficante junto com a minha madrasta, minhas irmãs e meu irmão. Mas só que agora eu vivo com a minha mãe, meu padastro e meus dois irmãos. Eu tenho mais um irmão que eu não conheço, mas ele não é traficante. Toda a minha família por parte de pai é... A minha vó fala para eu não ficar perto dele", disse cabisbaixo.
Nesta semana, aproximadamente, 250 alunos da rede municipal participaram de palestras de prevenção às drogas. O supervisor da Guarda Municipal Escolar Comunitária, Márcio Aparecido Meireles, alertou que os usuários podem ser de qualquer idade, sexo e classe social. "Os relatos que as crianças fazem sobre as famílias delas é o que mais nos chama a atenção. Contato, a gente sabe que algumas crianças já tiveram ou têm contato com as drogas. As mais espertas se afastam, mas é uma situação cada vez mais comum. Elas precisam dessa orientação e precisam conversar sobre o assunto", destacou.
A Guarda Municipal promove palestras de conscientização sobre temas como bullying, cidadania, depredação do patrimônio público e prevenção às drogas. O último tema também faz parte do programa "Crack, é possível vencer", com estratégias integradas de combate às drogas. As atividades podem ser agendadas por representantes das escolas e da comunidade pelo telefone (43) 3372-4633.

mockup