Globalização é ditadura, diz Esquivel
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Zeca Corrêa Leite 
Kraw PenasPainel de mártiresAdolfo Perez Esquivel e Mariane Spiller, diretora da ABAI, diante do quadro pintado pelo próprio EsquivelEstamos chegando ao final do século XX com os horizontes incendiados de guerra, conflitos e fome, disse ontem o prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Perez Esquivel, que veio a Curitiba para receber o diploma de doutor Honoris Causa, da Universidade Federal do Paraná. A honraria máxima da instituição será prestada também ao cardeal D. Paulo Evaristo Arns e ao professor Jorge Brovetto.
Estamos frente a uma enorme ameaça para a humanidade. Por isso temos que trabalhar para que todos os povos sejam os protagonistas de suas próprias vidas e suas próprias histórias, enfatizou Esquivel, em entrevista exclusiva para a Folha ontem pela manhã.
Depois de se tornar conhecido em todo o mundo, ao receber o Prêmio Nobel no final dos anos 70, numa época em que lutava ferrenhamente contra a ditadura em seu país, Perez Esquivel continua sua pregação pela paz. No momento está preocupado com o que está acontecendo na Iugoslávia e busca abrir uma brecha para o diálogo. Ele está envolvido na questão, mas seu trabalho é voltado fundamentalmente à América Latina. Uma das frentes de luta é pela anistia internacional da dívida externa, que considera um dos instrumentos mais eficazes da dominação dos povos. Como consequência, gera-se a violência e a fome, além de toda sorte de anomalias com a falta de uma política social e da exclusão social das crianças.
As crianças, aliás, têm especial significado para Esquivel, que se uniu a outros 20 Prêmios Nobel da Paz para levar adiante uma campanha contra a violência que elas sofrem em todo o mundo. O grupo de notáveis fez uma proposta concreta à assembléia da ONU que instituiu o ano 2000 como sendo o da cultura e da paz; e até 2010 a década da não-violência. Entidades voltadas à formação e proteção infantil - a exemplo da Associação Brasileira de Apoio à Infância, de Mandirituba, que Esquivel visitou ontem pela manhã - estão envolvidas no projeto Crianças para a Paz. Sua finalidade é recuperar crianças e jovens em risco social, e dar-lhes capacitação para o trabalho, mas num sentido integral.


