Benê Bianchi
De Londrina
A globalização da economia pegou a agropecuária brasileira no contrapé. Descapitalizado e tecnologicamente atrasado em relação aos concorrentes, o setor tem enfrentado uma realidade que vem se agravando desde a edição do primeiro plano econômico – o Cruzado, no governo de José Sarney. O resultado é a queda da renda na atividade rural, assunto que foi tema de um painel realizado ontem dentro da programação da 40ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. A promoção foi da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina, com colaboração da Embrapa, Sindicato Rural de Londrina e Sociedade Rural do Paraná.
‘‘Os seis ou sete planos econômicos editados nos últimos anos visaram sempre o combate à inflação e para isso o governo sempre tomou medidas que baratearam os alimentos. Esses planos tiraram a renda do agricultor, descapitalizaram a agricultura e culminou com o endividamento do setor em 95, quando foi criada a securitização (parcelamento) da dívida’’, analisa o presidente da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), José Aroldo Galassini. Ele foi um dos palestrantes do evento.
Foi neste cenário que entrou a globalização, implicando na abertura de importação e exportação de mercadorias. A realidade nacional não permite uma competitividade de igual para igual e, embora o setor lute para a criação de um imposto de importação para poder competir com os produtos subsidiados em sua origem, nada tem conseguido.
Gallassini observa que, sem obstáculos, as importadoras buscam sempre o melhor preço, importando a quantidade de alimentos que quiser. E cita um exemplo: ‘‘Mesmo produzindo 2,4 milhões de toneladas/ano de trigo (produção de 99) para um consumo de 9,5 milhões de toneladas, pode ocorrer de não termos mercado para nossa produção, porque as importadoras podem trazer de outros mercados toda a quantidade necessária para o consumo interno’’. O mesmo pode ocorrer com outras culturas.
Além de estar descapitalizado, o setor rural sofre com um outro agravante, segundo o presidente da Coamo: a pouca formação de uma parcela significativa do homem do campo. ‘‘Eles têm dificuldades para buscar novas tecnologias.’’ O efeito desse quadro, cita Gallassini, é o êxodo rural, que atinge também os médios e grandes produtores.
Para alterar essa rota, existem dois caminhos, em sua opinião. O primeiro entra no rol de reivindicações junto ao governo – crédito, investimentos em pesquisas, ações que possibilitem taxar os produtos importados que sejam subsidiados no seu país de origem – e, por parte dos produtores, que busquem informações e tecnologia para produzir de forma mais barata e com maior qualidade.
Todos os debates do dia foram documentados e serão enviados ao ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, a pedido dele, segundo informou Terezinha Santos, presidente da Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Londrina. Participaram do debate, além de Gallassini, o presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, o secretário da Agricultura, Antonio Leonel Poloni, Derli Dossa e o ex-ministro da Agricultura Francisco Sérgio Turra.Presidente da Coamo afirma que abertura dos mercados aconteceu em um momento que os produtores brasileiros estavam defasados tecnologicamente
Paulo WolfgangSOLUÇÕES EM DEBATE Participantes do painel ontem na Casa do Criador avaliaram as causas do empobrecimento no campo. No detalhe, Aroldo Galassini

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