Rubens Burigo Neto
Especial para a Folha
6 - Dentro de campo Bebê grita com os companheiros, reclama da falta de marcação e fica sempre pedindo a bola. Quando a recebe, dribla ‘‘feito gente grande’’ e chuta a gol com segurança. Fora do gramado Bebê se transforma no menino Gledson de Abreu Silva. É tímido e econômico nas palavras para contar como vive e o que sonha mais um pequeno brasileiro que pretende se tornar estrela do futebol.
Bebê se destaca entre as 140 crianças que treinam diariamente na sede do Clube Atlético Paranaense, no bairro Novo Mundo, em Curitiba. Torcedor do São Paulo, ele sonha ser igual a Pelé, de quem admira o modo de driblar. É considerado ‘‘mascaradinho’’ pelo ex-centroavante atleticano Joel, que o treina na escolinha. É a única crítica. O garoto frequenta as escolinhas dos times curitibanos profissionais e amadores desde 1995.
Aluno da 7ª Série, Bebê revela que não gosta de estudar porque ‘‘as professoras passam muita lição.’’ E rápido como quando está driblando rumo ao gol, emenda: ‘‘Mas a gente tem que estudar porque se o futebol não der...’’ O cotidiano dele é o mesmo da maioria dos amigos. Vai à escola pela manhã, almoça e o resto do dia é dedicado ao futebol.
Para ver seu sonho realizado, Bebê garante que tem todo o apoio dos pais, que fazem consertos em equipamentos de salão de beleza. No ano que vem, Bebê vai ter a primeira chance de testar suas habilidades, na ‘‘peneira’’ (seleção de jogadores) da equipe infantil do Atlético, que disputa competições oficiais. ‘‘Só tenho que descobrir porque acham que eu sou mascarado’’, encerra a entrevista, contrariado.

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