Albari RosaMargarete Durigheto: ‘‘Aqui eles não bebem porque eu não vendo’’O professor Luiz André Kossobudzki, da disciplina de Psicologia das Organizações e de Álcool e Drogas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que um dos maiores agravantes do drama dos dependentes seja a falta de informação e a suposição equivocada da maioria absoluta da população de que alcoolismo não é doença.
‘‘Existe má informação sobre o assunto. O alcoólatra não é considerado um doente, mas um sem-vergonha’’, diz o professor. Para Kossobudzki, a sociedade de consumo eleva o álcool e o fumo a um status de glamour, agravando o problema. ‘‘Basta ver que as mais belas propagandas da televisão são de bebidas alcoólicas e cigarro’’, constata.
É nesse embalo que vão os donos dos bares. Todos sabem que é proibido vender, mas dão de ombros para a lei. ‘‘Eu vendo porque todo mundo vende também’’, diz sem cerimônia o dono de um bar, que não quer ser identificado. Ele havia se aproximado da mesa em que o repórter da Folha entrevistava um grupo de estudantes, que bebem regularmente. O comerciante queria que as fotografias não identificassem o bar.
Existem algumas exceções, mas encontrar comerciantes como Margarete Durigheto, 44 anos, é um trabalho de Golias. Dona da Nana Banana, um bar próximo ao Colégio Positivo, ela tem suas mesas lotadas de estudantes adolescentes todos os dias. Jogando truco, os alunos têm que se contentar com refrigerantes. ‘‘Eles não bebem porque eu não vendo’’, afirma Margarete.
A opção de respeitar a lei, feita pela comerciante, tem como razão motivos práticos. ‘‘Daria muita dor de cabeça para selecionar os menores entre os clientes’’, explica. Margarete quer longe de si a responsabilidade de ‘‘desviar’’ os estudantes. ‘‘Acho que você pode cativar os jovens de outras maneiras, a não ser pelo álcool’’, diz ela. ‘‘Se eles não forem à aula não me diz respeito. Mas não poderão dizer que vieram aqui para tomar porres.’’ (J.A.)

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