A canadense Samantha Durnin ainda lembra com espanto de quando foi a um jogo de futebol, no Rio de Janeiro. ''Ouvi mais palavrões durante o jogo do que em seis meses inteiros no Brasil.'' O que eles significavam, Samantha não sabe dizer. Sabe apenas que se tratavam de palavrões. ''Os palavrões são uma das primeiras coisas que aprendemos quando chegamos em outro país. Aqui no Brasil, os colegas nos perguntavam se sabíamos como era determinado palavrão em português. Se dizíamos que não, eles respondiam: ''Então vocês precisam saber!'', conta a amiga finlandesa Laura Pontinen.
As gírias, o hábito de falar utilizando apenas as últimas sílabas da palavra, entre outras características da linguagem informal, são aspectos da língua que se aprendem mais com a convivência no país onde ela é falada do que nas aulas. Por essas e outras situações, é bem comum, quando se vai para o Exterior, achar que o que aprendemos com o curso de línguas não foi o suficiente. ''Mas o que acontece é que o fio condutor das aulas de idiomas é a língua padrão, porque ela pode ser entendida em qualquer lugar do país. Aí, a partir da língua padrão, você começa a perceber essas variações da língua escrita para a língua falada'', completa a professora Viviane Bagio Furtoso.
Ela lembra um episódio em que um aluno dinamarquês perguntou a ela o que era aquilo que lhe diziam todos os dias a caminho da escola, no ônibus, e que não conseguia decifrar: ''Ele ouvia as pessoas no ônibus lhe pedirem ''cença'' e veio todo confuso perguntar pra mim o que aquilo significava, afinal. Porque o que ele havia aprendido na aula era dizer: ''Boa tarde, professora, com licença, eu posso entrar?''
Segundo a professora, os próprios alunos levam suas dúvidas para a sala de aula de acordo com as necessidades do ambiente em que vivem. E é aí - acrescenta - que entra a necessidade de um professor com uma formação específica para dar aos alunos a oportunidade de se tornem bons falantes de língua estrangeira. (M.F.C.)

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