Ginecologista associa métodos e realiza parto inédito no País
Ginecologista associa métodos
e realiza parto inédito no País
Londrina registra primeiro parto verticalizado que misturou o sistema sentado com o de cócoras
Célia Baroni
Aconteceu quarta-feira pela manhã, no Hospital Mater Dei, em Londrina, o primeiro parto verticalizado associando o método de parto sentado com o parto de cócoras do Brasil. Até agora os médicos vinham adotando um ou outro método para parto verticalizado. O parto foi realizado pelo ginecologista Calvino Coutinho Fernandes, único médico da Cidade a realizar partos verticalizados. O médico afirma que a parceria entre os dois métodos dá mais liberdade à mãe para, na hora do parto, escolher qual posição é mais cômoda para ter a criança.
A mãe sabe instintivamente o que fazer na hora do parto e o médico precisa ter a sensibilidade para oferecer as melhores condições à paciente, explica Fernandes. A cadeira de parto, diz ele, tem várias inclinações e permite que a mulher descanse entre as contrações, sem tirar a sua mobilidade. Mas quando as contrações estão fortes, a mãe pode optar pelo equipamento de parto de cócoras, afirma.
Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1982, Calvino Fernades realizou o primeiro parto de cócoras na Cidade há seis anos. Atualmente, no Brasil, apenas outros cinco trabalham com o parto verticalizado no Brasil. No Paraná, o método está disponível em Londrina e Curitiba, onde é utilizado pelo médico Moisés Passioni.
Tanto a cadeira para parto quanto o apoio para parto de cócoras, reforça Fernandes, oferecem as vantagens do parto verticalizado. A natureza preparou o corpo da mulher para ter a criança na posição vertical. O parto tradicional - na posição horizontal - é uma invenção do homem para facilitar o trabalho do médico, diz.
Fernades afirma que, no parto verticalizado, há uma redução de até quatro horas no tempo do trabalho de parto, um melhor desempenho respiratório da mãe e maior oxigenação da criança.
Segundo Fernandes, estudos demosntram que na posição vertical a mulher tem até 20% mais de dilatação da parte óssea e consequentemente de dilatação da pélvis - por onde sai a criança. Na posição horizontal, explica o médico, o peso do corpo pressiona o cóccix, dificultando a dilatação. O mesmo acontece com a veia cava, que, pressionada pelo peso do útero, sofre um estrangulamento diminuindo a oferta de sangue para o coração e consequente oxigenação da criança.
No parto tradicional, por exemplo, a criança demora em média 18 segundos após o nascimento para chorar - consequência do início da respiração. No parto vertical, a criança responde antes - a média é de 9,8 segundos. No parto verticalizado, toda a musculatura do corpo - a voluntária e a involuntária - é utilizada. Isto acelera o parto e a criança e a mãe ficam menos estressadas, afirma Fernandes. Ele acrescenta que, no parto verticalizado, a participação da mãe é maior, melhorando a recuperação pós-parto.
Optar por um parto natural não significa abrir mão dos recursos tecnológicos, mas usar o melhor que a natureza oferece e a melhor parte do que a ciência dispõe, diz o médico. Desde que trouxe o método para Londrina, Calvino Fernades já realizou 16 partos de cócoras. Ele explica que optou por prestar um atendimento mais humanizado e, por isto, não pode acompanhar um grande número de gestantes. O parto verticalizado não tem hora marcada para acontecer, exige um acompanhamento mais próximo e demanda mais tempo do médico.





