Gincana entre alunos renova escola
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de outubro de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Os 660 alunos do ensino fundamental da Escola Estadual Kazuco Ohara, no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina, estão aprendendo na prática o quanto é difícil recuperar os estragos de uma peraltice.
Divididos em seis grupos, eles estão participando de uma gincana na qual uma das tarefas é lixar, selar, envernizar e pintar carteiras escolares. A idéia surgiu porque os próprios alunos estavam reclamando do péssimo estado das carteiras. Era motivo até de pequenas discussões entre eles. Consultamos os pais que nos incentivaram a pôr o projeto em prática, conta a professora Enedmea Regina Martins Rodrigues, diretora há oito anos da escola. A escola é conhecida na cidade por ser vizinha ao 3º Distrito Policial e ser rota dos fugitivos em pleno horário de aula.
Pelo menos metade das 354 carteiras foram recuperadas ontem e quinta-feira, os dois primeiros dias da gincana, que substitui as aulas por cinco dias durante o ano. Os alunos fazem de tudo, conforme orientação de um grupo de professoras. Até quarta-feira, as crianças continuam a disputa com atividades culturais e esportivas. As três equipes com melhor pontuação recebem troféus.
Na verdade, todos são vencedores. Porque, além de ser uma atividade que os tira da rotina, eles se integram, e são conscientizados de que o bom estado da escola depende em grande parte deles, comemora a diretora. É um tipo de atividade muito elogiada pelos pais, que ficam orgulhosos dos filhos.
O material para a restauração também tem que ser captado pelo grupo, junto aos pais e aos comerciantes do bairro. Uma das equipes chegou a conseguir tinta para pintar as paredes internas e recuperar a cortina de uma das salas.
Os grupos também manusearam vassouras, baldes, esfregões e rodinho. O mutirão de limpeza nas salas resultou no fim dos rabiscos também nas paredes, tão a gosto dos adolescentes, principalmente os da 6ª e 7ª série. Eles estão num período de auto-afirmação na escola, escrevem nomes e piadinhas para tornarem-se popular, explica Enedmea.
Além dos estragos com canetas, lápis de cor, cortes na madeira com estilete, algumas carteiras (cerca de 5% delas em um ano) chegam a ser parcialmente destruídas. A escola recebe verba da Fundepar para a mão-de-obra dos reparos. O material para o conserto é enviado mediante pedido. Carteiras completas só são enviadas após comprovação de déficit agudo no estabelecimento.
A idéia da direção da escola é estender a campanha de preservação do patrimônio após a gincana. Os alunos já foram alertados que daqui para frente terão que recuperar imediatamente a carteira que danificarem. Para dar vazão a inquietude infanto-juvenil, será criado um painel no muro da escola especialmente para rabiscos e mensagens com conteúdo quase livre.
A diretora, entretanto, lembra que nesta idade, os alunos se sentem fortes ao transgredir as regras. Estamos preparados para casos isolados de alunos que continuarão a rabiscar as carteiras. Mas com o esforço que a maioria fez na restauração teremos vários fiscais em cada uma das turmas, prevê.


