Os 660 alunos do ensino fundamental da Escola Estadual Kazuco Ohara, no Jardim Bandeirantes, zona oeste de Londrina, estão aprendendo na prática o quanto é difícil recuperar os estragos de uma peraltice.
Divididos em seis grupos, eles estão participando de uma gincana na qual uma das tarefas é lixar, selar, envernizar e pintar carteiras escolares. ‘‘A idéia surgiu porque os próprios alunos estavam reclamando do péssimo estado das carteiras. Era motivo até de pequenas discussões entre eles. Consultamos os pais que nos incentivaram a pôr o projeto em prática’’, conta a professora Enedmea Regina Martins Rodrigues, diretora há oito anos da escola. A escola é conhecida na cidade por ser vizinha ao 3º Distrito Policial e ser rota dos fugitivos em pleno horário de aula.
Pelo menos metade das 354 carteiras foram recuperadas ontem e quinta-feira, os dois primeiros dias da gincana, que substitui as aulas por cinco dias durante o ano. Os alunos fazem de tudo, conforme orientação de um grupo de professoras. Até quarta-feira, as crianças continuam a disputa com atividades culturais e esportivas. As três equipes com melhor pontuação recebem troféus.
‘‘Na verdade, todos são vencedores. Porque, além de ser uma atividade que os tira da rotina, eles se integram, e são conscientizados de que o bom estado da escola depende em grande parte deles’’, comemora a diretora. ‘‘É um tipo de atividade muito elogiada pelos pais, que ficam orgulhosos dos filhos.’’
O material para a restauração também tem que ser captado pelo grupo, junto aos pais e aos comerciantes do bairro. Uma das equipes chegou a conseguir tinta para pintar as paredes internas e recuperar a cortina de uma das salas.
Os grupos também manusearam vassouras, baldes, esfregões e rodinho. O mutirão de limpeza nas salas resultou no fim dos rabiscos também nas paredes, tão a gosto dos adolescentes, principalmente os da 6ª e 7ª série. ‘‘Eles estão num período de auto-afirmação na escola, escrevem nomes e piadinhas para tornarem-se popular’’, explica Enedmea.
Além dos estragos com canetas, lápis de cor, cortes na madeira com estilete, algumas carteiras (cerca de 5% delas em um ano) chegam a ser parcialmente destruídas. A escola recebe verba da Fundepar para a mão-de-obra dos reparos. O material para o conserto é enviado mediante pedido. Carteiras completas só são enviadas após comprovação de déficit agudo no estabelecimento.
A idéia da direção da escola é estender a campanha de preservação do patrimônio após a gincana. Os alunos já foram alertados que – daqui para frente – terão que recuperar imediatamente a carteira que danificarem. Para dar vazão a inquietude infanto-juvenil, será criado um painel no muro da escola especialmente para rabiscos e mensagens com conteúdo ‘‘quase’’ livre.
A diretora, entretanto, lembra que nesta idade, os alunos se sentem fortes ao transgredir as regras. ‘‘Estamos preparados para casos isolados de alunos que continuarão a rabiscar as carteiras. Mas com o esforço que a maioria fez na restauração teremos vários fiscais em cada uma das turmas’’, prevê.

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